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Home Colunistas Mário Plaka

A matemática cruel dos medicamentos

Quando a saúde vira negócio para poucos

Redação por Redação
17 de março de 2026
em Mário Plaka
Tempo de Leitura: 2 minutos de leitura
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A matemática cruel dos medicamentos

A matemática cruel dos medicamentos (Foto: Pixabay)

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Por Mário Plaka (*)

O brasileiro está perplexo. A cada novo vazamento de mensagens, a cada nova reportagem, surgem mais nomes, mais conexões e mais dúvidas envolvendo grandes empresários e estruturas de poder. Pessoas que transitam entre bancos, contratos públicos e gabinetes influentes.


Mas o cidadão comum olha para tudo isso e faz uma pergunta simples: Quem realmente está sendo servido por esse sistema?

Enquanto contratos milionários são assinados, pequenos empresários da área farmacêutica enfrentam um verdadeiro labirinto de burocracia para conseguir fornecer ao Estado. Muitos desistem antes mesmo de começar. Outros passam anos tentando aprovar produtos, patentes ou registros.

Mas o problema não termina aí. Hoje, ao entrar em uma farmácia, deparei-me com uma matemática que desafia qualquer lógica. Uma cartela de 10 comprimidos custava R$ 34,00, a de 20 comprimidos, do mesmo medicamento, R$ 37,80 e a de 30 comprimidos, R$ 48,00.

Que lógica é essa? Que tipo de formação de preço permite que o consumidor pague praticamente o mesmo valor por quantidades completamente diferentes?

Essa distorção não é apenas um detalhe comercial.

Ela revela algo mais profundo: um sistema que muitas vezes parece explorar justamente quem mais precisa.

Enquanto isso, surgem denúncias e relatos preocupantes vindos de várias partes do país:

– medicamentos próximos do vencimento vendidos para administrações públicas;

– estoques mal geridos;

– remédios vencidos descartados em grandes quantidades por prefeituras.

Não é raro ver reportagens mostrando toneladas de medicamentos sendo jogadas fora em depósitos públicos ou lixões.

E aí surge outra pergunta inevitável: Se há desperdício de um lado e preços abusivos do outro, onde exatamente está o erro desse sistema?

O povo paga impostos para garantir saúde pública digna.

Paga caro nas farmácias quando precisa comprar do próprio bolso.

E ainda assiste, perplexo, a contratos gigantescos sendo firmados enquanto pequenos fornecedores ficam de fora.

Talvez esteja na hora de o Brasil discutir com seriedade:

Quem controla o mercado de medicamentos?

Como são definidos os preços?

Quem realmente consegue vender para o Estado?

Porque quando a saúde vira apenas um grande negócio, quem sofre não é o sistema.

É o paciente.

E o paciente, no Brasil, quase sempre é o lado mais fraco dessa equação.

(*) Mário Plaka é empresário em Coronel Fabriciano e membro fundador da Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Afiliados (Ajoia-Brasil)
Tag: brasileirofarmáciamatemáticamedicamento
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