Por Mário Plaka (*)
O brasileiro precisa acordar. Enquanto milhões perdem tempo discutindo se Neymar merece convocação, se técnico presta ou não presta, o Brasil continua afundado em hospitais lotados, escolas sucateadas, juros abusivos, imposto sobre imposto, violência, corrupção e abandono social.
O povo briga por futebol, mas não acompanha a política. O povo sabe a escalação da seleção brasileira, mas não sabe quem é o senador do seu estado. Não sabe quem é o suplente do senador. Não sabe quem votou contra ou a favor do povo. Não sabe quem aumentou imposto, quem aprovou privilégios, quem protegeu corrupção ou quem se calou diante dos problemas do país. E depois reclama do Brasil.
A verdade precisa ser dita: existe também irresponsabilidade do eleitor. Muitos criticam políticos, mas vivem como se o futuro do país não tivesse nada a ver com eles. Discutem a vida do vizinho, a fofoca da rua, a novela, o futebol, a briga de internet, mas esquecem da própria casa. Esquecem da fila do hospital. Esquecem da falta de saneamento básico. Esquecem do salário esmagado. Esquecem do desemprego. Esquecem que cada imposto pago deveria retornar em dignidade para o povo.
E enquanto o povo dorme, os maus jogadores da política entram em campo.
A eleição não é brincadeira. É a escalação do país. A verdadeira seleção brasileira não veste chuteira. Veste terno, ocupa gabinete e decide a vida do cidadão todos os dias. É o deputado estadual que vota leis no estado. É o deputado federal que vota leis em Brasília. É o senador que ocupa o Senado Federal e pode decidir o rumo da República. É o governador que administra o estado. É o presidente da República que escolhe ministros, indica nomes importantes e monta uma equipe que pode jogar a favor do povo ou contra o povo.
E não para por aí. Todo político eleito monta sua própria seleção. Escolhe secretários, assessores, ministros, chefes de gabinete e pessoas que vão ocupar cargos estratégicos. Ou seja: quando o povo vota errado, não coloca apenas um nome no poder. Coloca junto toda uma equipe que muitas vezes não tem compromisso nenhum com o Brasil.
O povo precisa parar de votar como torcedor. Tem eleitor que vota como quem escolhe time de futebol. Defende político mesmo quando o político erra. Passa pano para corrupção. Aplaude mentira. Ataca quem pensa diferente. E depois pergunta por que o Brasil não muda.
O país não precisa de torcida organizada na política. Precisa de cidadãos responsáveis. Chega de votar por emoção. Chega de votar por fanatismo. Chega de votar porque alguém grita mais alto, faz mais propaganda ou promete milagres.
O Brasil não precisa de malandros no poder. Não precisa de moleques administrando bilhões enquanto o povo sofre para sobreviver. O Brasil precisa de gente séria, preparada, equilibrada e comprometida com a Constituição e com a população.
E existe um detalhe gravíssimo que muitos eleitores fingem não enxergar: os suplentes de senador. Muitos votam no senador e sequer procuram saber quem são os suplentes que vêm junto no pacote. Depois, quando o senador sai do cargo, quem assume é alguém que o povo nunca escolheu de verdade. Pessoas sem preparo, sem compromisso popular e, muitas vezes, sem qualquer identificação com os interesses da população.
Isso é sério. O eleitor precisa parar de votar no escuro. Precisa investigar. Precisa acompanhar. Precisa cobrar. Porque política não é entretenimento. Política é administração da vida do povo.
Enquanto o povo estiver mais preocupado com convocação de futebol do que com convocação ministerial, mais preocupado com campeonato do que com o Congresso Nacional, mais preocupado com fofoca do que com educação, saúde e economia, o país continuará andando para trás.
O Brasil não precisa apenas de mudança política. Precisa de mudança de mentalidade. O eleitor precisa entender que cada voto errado custa caro. Muito caro. Custa dignidade. Custa segurança. Custa saúde. Custa futuro.
A verdadeira seleção brasileira é aquela que ocupa a Câmara Federal, o Senado, as Assembleias Legislativas, os governos estaduais e a Presidência da República. São esses jogadores que decidem se o povo vai vencer ou continuar perdendo dentro do próprio país.























