Por Mário Plaka (*)
Chega de conversa mole. Chega de fingir surpresa. O Brasil vive uma impunidade crônica, planejada e conveniente. O engavetamento de processos e a prescrição viraram instrumentos oficiais do sistema. Não se trata de falha — é método. O caso Marcola, chefe do PCC, com crimes prescritos e amplamente noticiado entre 2023 e 2024, não é exceção: é apenas mais um capítulo de uma prática recorrente, comum e estrutural no país.
A engrenagem é sempre a mesma: processos que não andam, recursos infinitos, prazos estourados, tempo passando… Resultado? Prescreveu. Absolvido pelo relógio. Essa lógica vale tanto para o crime organizado quanto para a elite política. Políticos poderosos atravessam décadas sem julgamento definitivo. Ações prescrevem no STF, processos ficam esquecidos em gavetas e o criminoso sai “limpo”, enquanto o povo segue condenado a pagar a conta.
O Judiciário falha. O Congresso protege. Deputados e senadores moldam leis para blindar a si mesmos, criam brechas, ampliam privilégios e garantem a própria sobrevivência política. Menores escapam pela idade, velhos escapam pela prescrição “humanitária”. O sistema se retroalimenta.
E agora vem a parte que dói ouvir: isso só continua porque o eleitor permite. Deputados com dois, três, quatro mandatos? Fora. Senadores eternos, 8, 16, 24 anos no poder? Fora. Quem está há décadas em Brasília não combate o sistema — é o sistema.
Estamos em ano eleitoral. Não existe neutralidade. Não existe “menos pior”. Ou o eleitor assume sua responsabilidade histórica, ou aceita ser cúmplice da impunidade. Trocar ao menos 80% da Câmara e varrer o Senado não é radicalismo: é a única forma de devolver força ao Congresso para frear abusos do Judiciário quando ele falha, fiscalizar o Executivo e recuperar a soberania popular.
Acorda, Brasil. Acorda, eleitor. Depois do voto, não adianta reclamar. O silêncio na urna vira sofrimento permanente. Ano eleitoral é acerto de contas.
Vote limpo ou engula sapo para sempre.























