Por Mário Plaka (*)
Quando escrevi meu texto anterior, estava perplexo. E não estava sozinho. A maioria dos brasileiros de bem sente-se como quem ocupa uma pequena embarcação em mar revolto, sem bússola visível, sem saber exatamente para onde ir, apenas consciente de que não pode permanecer à deriva. Esse foi meu sentimento ao ver o deputado federal Nikolas anunciar que faria uma caminhada a pé de Minas Gerais até Brasília. Não senti empolgação, mas preocupação — uma preocupação profunda. Porque quando um parlamentar chega ao ponto de afirmar que “não há mais o que fazer”, é sinal de que algo muito sério acontece com o país.
Foi por isso que me calei antes. Foi por isso que escrevi que precisava refletir. Palavra dita sem discernimento vira ruído — e o Brasil já está saturado de ruídos. Vivemos hoje uma insegurança jurídica profunda. O povo é escarnecido diariamente, esmagado por tributos, taxas e impostos, enquanto vê seus representantes no Legislativo serem sistematicamente ignorados e menosprezados tanto pelo Executivo quanto pelo Judiciário. Este último, que deveria ser guardião da Constituição, em grande parte tem se aliado a projetos de poder que violentam o espírito da lei, relativizam direitos e corroem a soberania popular.
O resultado é um país desorientado, um povo confuso, instituições em desalinho. E então surge um deputado que diz: “Pedi a Deus uma direção, e essa foi a direção que recebi”. Ele inicia uma caminhada solitária, consciente de que não carrega um plano político fechado, mas um sinal. Um gesto que não resolve tudo, mas desperta. Não queremos interferência de outros países, nem holofotes internacionais. Queremos que o brasileiro acorde, que entenda que ninguém virá remar por nós. Esse pequeno barco só chegará à terra firme se o próprio povo pegar os remos. Mas remar exige sobriedade, direção e consciência.
O governo que está aí sabemos o que defende, quem o sustenta e como se infiltrou nas estruturas do Estado, nas autarquias, nos municípios e nos estados. Agrupam-se como porcos-espinhos: quem se aproxima, é ferido. Assim fazem com Bolsonaro — e não apenas com ele, mas com todos que defendem o cumprimento da lei, a justiça real e a soberania do povo. Porque não se trata apenas de Bolsonaro. Trata-se do Brasil.
Bolsonaro hoje simboliza uma dor coletiva: a dor de quem se sente injustiçado, silenciado, perseguido. A dor que muitos carregam calados. A dor de um povo que ainda pode sair às ruas, mas não sabe exatamente como agir. Por isso, sim, precisamos de mais pessoas dispostas a caminhar. Mas antes da caminhada física, é preciso a caminhada espiritual. Nossa luta não é contra carne nem sangue, mas contra principados, potestades e dominadores deste tempo presente. Dominadores que capturaram consciências, especialmente das crianças, dos jovens e das famílias, reduzindo tudo a um propósito imediato e esquecendo o futuro, os filhos, os netos, as próximas gerações.
O que estamos deixando para eles? Nikolas está deixando uma história. Eu, Mário Placa, também estou deixando uma história. Meus textos ficam, registrados e eternizados nas redes. São textos de quem chora, ora e clama pelo Brasil. De quem se indigna com o que vê, mas se recusa a brincar enquanto a casa queima. Meu grito pode parecer fraco, uma voz no deserto. Mas é no deserto que a voz ecoa mais longe. Talvez os que estão muito perto já estejam secos demais para ouvir. Mas alguém, à distância, ainda pode escutar.
Brasil, mostra a tua cara. Povo brasileiro, não permita que isso continue. Faça a sua parte. Comece refletindo. Depois, aja com consciência.























