Por Mário Plaka (*)
Existe uma narrativa repetida há décadas dizendo que o Brasil é um país rico. Com essa narrativa, temos um Judiciário entre os mais caros do mundo, além de um Executivo e um Legislativo que, muitas vezes, parecem ter se transformado em um negócio de família para oligarquias que parasitam o povo trabalhador.
Mas, quando analisamos os dados econômicos com seriedade, a realidade é outra.
O Brasil tem cerca de 213 milhões de habitantes e uma renda per capita média próxima de R$ 2.300 por mês. Isso significa que, dividindo toda a renda produzida no país entre a população, cada brasileiro teria pouco mais de dois mil reais mensais.
Quando comparamos com países considerados ricos, a diferença é gigantesca.
Países como Singapura, Luxemburgo, Noruega e Suíça possuem renda per capita equivalente a dezenas de milhares de dólares por pessoa ao ano. Em muitos casos, a renda média mensal de um cidadão desses países supera facilmente R$ 30 mil ou R$ 40 mil por mês.
Além disso, esses países têm populações muito menores. Enquanto o Brasil possui mais de 200 milhões de habitantes, muitos desses países ricos têm entre 500 mil e 9 milhões de pessoas.
Ou seja, a riqueza média por cidadão é muito maior.
No Brasil, a realidade de grande parte da população é bem diferente. Em muitos estados, especialmente nas regiões mais pobres, a renda per capita de milhares de famílias fica abaixo de R$ 700 por mês por pessoa.
Isso revela um fato incômodo, mas necessário de ser reconhecido: o Brasil é um país grande, mas ainda é um país pobre. E tratar o país como se fosse rico tem um custo enorme.
A máquina pública brasileira é uma das mais caras do mundo. O Judiciário brasileiro está entre os mais caros do planeta. O Legislativo também. O mesmo acontece com os governos federal, estaduais e muitas prefeituras, que sustentam estruturas gigantescas mesmo em cidades que quase não produzem riqueza.
Enquanto isso, quem produz de verdade enfrenta dificuldades: o pequeno produtor rural, o microempresário, o trabalhador autônomo, o comerciante de bairro, esses são os que carregam o país nas costas, mas muitas vezes são sufocados por impostos, burocracia e falta de incentivo.
Se o Brasil quiser realmente sair da pobreza estrutural, será preciso encarar a realidade econômica do país.
Isso significa, enxugar a máquina pública, reduzir o peso do Estado sobre quem produz, estimular o pequeno produtor e o empreendedor. Parar de governar como se o país fosse rico.
O Brasil tem território, recursos naturais e um povo trabalhador.
Mas, enquanto o modelo de gestão continuar baseado em impostos altos, gastos crescentes e pouca eficiência, o país continuará preso em um ciclo de baixo crescimento.
Reconhecer que ainda somos um país pobre não é pessimismo.
É o primeiro passo para construir um país realmente rico no futuro.























