Por Mário Plaka (*)
O Brasil virou um grande experimento político. Um laboratório onde partidos testam nomes como se estivessem escolhendo elenco para reality show.
Estourou na internet? Vem ser candidato.
Saiu na TV? Vem ser candidato.
Virou meme? Vem ser candidato.
Teve uma tragédia que comoveu? Vem ser candidato.
É sério isso?
Política não é Big Brother.
Mandato não é prêmio de popularidade.
Eu não estou aqui para atacar A, B ou C. Não é pessoal.
É estrutural. É o sistema.
Mas vamos falar a verdade que ninguém quer falar:
Quantos “famosos” entraram na política e entregaram resultado de verdade?
Quantos chegaram com milhões de votos e desapareceram?
Quantos traíram o eleitor porque simplesmente não estavam preparados?
E aí eu pergunto, sem rodeio:
O que Romário entregou proporcional ao tamanho da votação que teve?
O que Joice Hasselmann deixou como legado concreto?
E não para por aí.
Já teve humorista, apresentador, artista, jogador, influencer…
Gente que entrou puxando voto — e depois não sustentou o peso do mandato.
E o povo?
Ficou com o prejuízo.
Agora a moda é outra: viralizou, sofreu, apareceu — vira “nome viável”.
Não. Não é assim.
Sentir dor não prepara ninguém para legislar.
Ter seguidor não ensina ninguém a governar.
Ser famoso não dá conhecimento jurídico, político ou institucional.
E enquanto isso, o que acontece?
Um Congresso fraco.
Um Congresso que não se impõe.
Um Congresso que, muitas vezes, abaixa a cabeça.
E quando o Legislativo se apequena, alguém cresce.
Aí vem outro poder e ocupa o espaço.
Decide. Interfere. Avança.
E sabe por quê?
Porque falta preparo.
Falta coragem.
Falta gente que saiba o que está fazendo lá dentro.
E aí surgem cenas absurdas: parlamentar sendo engolido pelo sistema, mandato sendo perdido sem resistência política, gente que devia defender a instituição… se calando.
Isso não é coincidência.
Isso é consequência.
Consequência de voto mal feito.
Consequência de partido sem critério.
Consequência de transformar política em vitrine.
Partido político não é agência de talentos.
Não é franquia de fama.
Não é balcão de oportunidade para quem está em alta.
Política é coisa séria.
Se não houver critério na escolha, vai continuar acontecendo o que já está acontecendo: um país sendo conduzido por improviso.
E eu vou repetir, para ver se fica claro: Não basta ser conhecido. Não basta emocionar. Não basta aparecer. Tem que ter preparo. Tem que ter firmeza. Tem que ter compromisso.
O Brasil não precisa de celebridade na política.
Precisa de gente capacitada.
Ou a gente acorda… ou continua sendo governado por teste de popularidade.























