Por Mário Plaka (*)
A situação por lá não está nada bonita. Quanto mais se pensa se está no fundo do poço, mais se descobre que, abaixo dele, ainda existe um porão.
Há alguns anos, dizia-se que a corrupção, a malandragem e a picaretagem eram sujeiras escondidas debaixo do tapete. Com o tempo, aqueles que dominavam o sistema passaram a controlar também setores vitais da sociedade. Dominaram escolas, influenciaram meios de comunicação, alcançaram parte do Judiciário e até mesmo algumas lideranças religiosas.
Então, surgiu um escândalo atrás do outro.
Nesse reino, muitos chegam a acreditar que todos os envolvidos no sistema protegem uns aos outros. Mas talvez a realidade seja ainda pior: cada um procura proteger a si mesmo. O objetivo comum parece ser apenas a autopreservação.
Até mesmo aqueles que deveriam trazer à luz os esquemas de corrupção acabaram sendo apontados como parte deles. Segundo acusações e suspeitas que circulam pelo reino, alguns dos que deveriam fiscalizar também teriam recebido favores, vantagens ou benefícios oferecidos pelos grandes articuladores do sistema. Outros teriam participado de encontros e eventos destinados a criar compromissos, dependências e lealdades capazes de manter funcionando a engrenagem da corrupção.
O problema, portanto, não estaria apenas naqueles que praticam os atos ilícitos, mas também naqueles que deveriam denunciá-los e combatê-los. Quando os responsáveis pela fiscalização passam a ser questionados, a confiança da população se enfraquece e a sensação de impunidade cresce.
Enquanto isso, tenta-se convencer quem ainda mantém um fio de esperança de que nada do que foi revelado ao longo dos anos aconteceu de fato. Mesmo diante de imagens, gravações, investigações e denúncias amplamente divulgadas, repete-se o discurso de que ninguém viu nada, ninguém sabe de nada e nada pode ser comprovado.
Nesse lugar, a memória parece ser um bem descartável. O escândalo de ontem é substituído pelo de hoje, que logo será esquecido pelo de amanhã. O excesso de acontecimentos acaba servindo para que os fatos mais graves desapareçam na poeira do tempo.
A pergunta que muitos fazem é simples: por que tantas pessoas comuns — que trabalham diariamente, enfrentam dificuldades, derramam suor e lágrimas para sustentar suas famílias — ainda defendem aqueles que contribuem para a deterioração desse reino?
É hora de refletir.
Neste ano haverá eleições. Dos menores povoados aos maiores centros, denúncias, suspeitas e investigações alcançam representantes que passaram ou ainda permanecem nos parlamentos e instituições.
Muitas vezes, as acusações tornam-se tão numerosas e generalizadas que as pessoas perdem o foco da discussão principal. Porém, alguns poucos pensadores continuam fazendo as perguntas mais importantes: o que fazer, como agir e como votar quando chegar o momento das urnas?
Se os eleitores ignorarem os erros cometidos contra idosos, aposentados, o patrimônio público e as instituições; se esquecerem daqueles que foram condenados ou afastados e que agora tentam retornar ao poder; se permitirem que os mesmos grupos continuem comandando os destinos do reino sem qualquer reflexão crítica, o futuro poderá cobrar um preço elevado.
Existe uma crença curiosa por ali: a de que os governantes são os únicos responsáveis pelo destino da nação. Mas a verdade é que nenhuma liderança chega ao poder sozinha, nenhuma estrutura se mantém sem apoio e nenhum reino permanece de pé ou cai sem a participação do seu povo.
Afinal, nenhum reino é destruído apenas pelos erros de seus governantes. Muitas vezes, ele é enfraquecido pela incapacidade de seu próprio povo de aprender com a história.























