Por Mário Plaka (*)
Existe uma antiga expressão que resume uma forma irresponsável de governar: “Depois de mim, vem o dilúvio.” A frase representa a atitude de quem se preocupa apenas com o presente, com a permanência no poder ou com interesses imediatos, deixando que as consequências recaiam sobre as próximas gerações.
Nenhuma nação consegue prosperar quando decisões de curto prazo comprometem sua estabilidade econômica, fiscal e social. Se um governo — qualquer que seja — prioriza a disputa política em vez do planejamento para enfrentar crises futuras, como pandemias, desastres naturais, recessões ou inflação, o preço acaba sendo pago pela população.
Mas há um aspecto que merece uma reflexão ainda mais profunda.
Se amanhã vier o “dilúvio” — uma grave crise econômica, uma explosão da inflação, uma recessão prolongada ou qualquer outra calamidade — aqueles que acumulam grande patrimônio terão muito mais condições de proteger seus interesses.
Pessoas com elevados recursos financeiros, investimentos diversificados ou patrimônio no exterior, por exemplo, tendem a ter mais alternativas para enfrentar períodos de instabilidade.
Quem dificilmente terá essa opção é o trabalhador comum.
É o cidadão que depende do salário do fim do mês, que enfrenta diariamente o transporte público, que aguarda meses por uma consulta médica, por uma cirurgia ou por um medicamento. É essa parcela da população que sente primeiro e com maior intensidade os efeitos de uma crise.
Por isso, o eleitor precisa olhar além do benefício imediato. Programas sociais podem ser importantes para atender necessidades urgentes e reduzir vulnerabilidades. Ao mesmo tempo, é legítimo discutir se eles estão sendo acompanhados de políticas capazes de ampliar oportunidades, fortalecer a educação, incentivar a qualificação profissional, gerar empregos e promover crescimento econômico sustentável. Sem isso, existe o risco de aliviar o presente sem preparar o futuro.
Quem ocupa posições privilegiadas geralmente possui mais meios para enfrentar tempos difíceis. Já quem vive exclusivamente do próprio trabalho depende da estabilidade da economia, da qualidade dos serviços públicos e da responsabilidade das decisões tomadas hoje.
Da mesma forma, pesquisas de opinião e a cobertura da imprensa exercem um papel importante na democracia. Por isso, devem atuar com transparência, metodologia clara e responsabilidade. Quando existe a percepção de manipulação ou de perda de credibilidade, cresce a desconfiança da população nas instituições.
A democracia não termina no voto. Ela exige acompanhamento, fiscalização e responsabilidade dos eleitores. Nenhum governante permanece no poder sem apoio político e popular. Por isso, o cidadão também tem o dever de analisar propostas, cobrar resultados e pensar nas consequências das decisões públicas para o futuro do país.
Independentemente da preferência política de cada brasileiro, permanece uma pergunta que merece reflexão:
Estamos escolhendo governantes pensando apenas no hoje ou também no Brasil que deixaremos para nossos filhos e netos?
O futuro de uma nação não é construído por promessas, mas por responsabilidade, planejamento e compromisso com o interesse público.
Acorda, Brasil! Porque, quando o dilúvio chega, os primeiros a sofrer são justamente aqueles que tiveram menos condições de se preparar. O amanhã não pertence aos governantes de passagem; pertence aos nossos filhos, aos nossos netos e a todo trabalhador que sustenta esta nação com o fruto do seu esforço diário.























