Por Mário Plaka (*)
Conta-se que o filósofo Diógenes de Sinope andava em pleno meio-dia com uma lanterna acesa, procurando um homem verdadeiramente honrado. A cena parecia absurda, mas a mensagem era certeira: mesmo sob a luz do sol, a integridade já era difícil de encontrar.
Séculos se passaram. Mudaram as roupas, os governos, as tecnologias e os discursos. O problema continua o mesmo.
Hoje, dizer que é de direita é fácil.
Dizer que é conservador é fácil.
Falar em Deus, pátria, família e liberdade é fácil.
Postar frases prontas e posar de defensor da moral é fácil.
Difícil é viver isso quando ninguém está olhando.
Difícil é respeitar a esposa ou o marido dentro de casa.
Difícil é educar filhos com exemplo e não apenas com bronca.
Difícil é trabalhar com honestidade quando surge a chance de trapacear.
Difícil é agir com decência no trânsito, na fila do supermercado, no atendimento simples do dia a dia.
Difícil é tratar pobres e ricos com o mesmo respeito.
Difícil é manter princípios quando eles custam caro.
É difícil entender que alguém que se diz de direita possa votar e apoiar politicos socialistas,comunistas, progressistas…
Há gente demais cobrando virtude dos outros e faltando com ela no espelho.
Há patriotas de rede social e tiranos dentro de casa.
Há moralistas no microfone e oportunistas na prática.
Há defensores da família que abandonam a própria.
Há amantes da liberdade que escravizam os outros com arrogância.
Não falta discurso.
Falta coerência.
Não falta bandeira.
Falta coluna moral para segurá-la.
Por isso, ainda hoje, muita gente merecia ser procurada com a lanterna acesa em pleno meio-dia.
Porque dizer qualquer um diz.
Viver o que diz… isso já separa homens e mulheres comuns de pessoas verdadeiramente honradas.























