Por Mário Plaka (*)
Enquanto o povo acorda de madrugada para trabalhar, o governo acorda pensando em narrativa.
Enquanto a mãe espera meses por uma consulta, enquanto o trabalhador vê o salário acabar antes do mês terminar, enquanto a violência toma conta das ruas, o debate que aparece na propaganda oficial é “pessoas que menstruam”.
O brasileiro comum não aguenta mais essa desconexão entre o país da propaganda e o país da realidade.
A realidade é o pai de família assaltado no ponto de ônibus. É a mulher espancada dentro de casa. É a criança crescendo sem futuro. É o trabalhador pagando imposto em tudo e recebendo migalhas de volta. É o pequeno produtor sufocado. É o empreendedor tratado como inimigo. É a corrupção drenando dinheiro da saúde, da segurança e da educação.
E depois perguntam por que o povo está revoltado.
Não é apenas uma discussão sobre palavras. É uma discussão sobre prioridades.
Quando um governo troca o básico pelo ideológico, ele mostra onde está sua preocupação. Quando o governo prefere entrar em debates artificiais em vez de enfrentar a criminalidade, o desemprego e a corrupção, o povo percebe.
E percebe muito.
O trabalhador brasileiro não vive dentro de universidade ideológica. Ele vive dentro do ônibus lotado. Dentro do trânsito violento. Dentro da fila do SUS. Dentro do medo constante.
O povo não quer saber de linguagem criada para agradar grupos políticos. O povo quer dignidade. Quer segurança. Quer comida barata. Quer justiça. Quer respeito.
E o mais revoltante é ver bilhões desaparecendo em corrupção enquanto o cidadão honesto conta moeda para sobreviver.
A corrupção mata. Mata mais do que muitas guerras. Mata no hospital sem remédio. Mata na ambulância que não chega. Mata na ponte que cai. Mata na obra superfaturada. Mata quando o dinheiro público vai parar no bolso de corruptos e depois financia bancas milionárias de advogados.
Enquanto isso, o trabalhador que produz, que sustenta essa nação, continua sendo esmagado.
Hoje, quem questiona esse sistema é chamado de arcaico, radical, ultrapassado. Mas foram os pensadores, os questionadores e os inconformados que mudaram a história da humanidade.
Toda vez que tentaram destruir os valores fundamentais de uma sociedade, alguém se levantou para dizer: “isso está errado.”
Família não é atraso. Trabalho não é atraso. Honestidade não é atraso. Respeitar a realidade não é atraso.
O Brasil real não precisa de mais propaganda. Precisa de verdade. Precisa de ordem. Precisa de responsabilidade. Precisa voltar a respeitar quem produz, quem trabalha e quem sustenta este país todos os dias.
Porque nenhum governo sobrevive sem o povo. Mas o povo pode sobreviver sem governos ideológicos que perderam a conexão com a realidade.























