Por Mário Plaka (*)
Eu assisti às cenas da posse do novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e confesso: em muitos momentos eu me perguntei se esse país ainda consegue distinguir seriedade institucional de espetáculo político.
O que deveria ser uma cerimônia marcada pela sobriedade virou um desfile de intimidades, descontrações e símbolos que causaram indignação em milhões de brasileiros.
Discursos, abraços, sorrisos, jantar de gala, pagode e dança.
E o povo? O povo continua com a corda no pescoço.
Enquanto autoridades celebram, o cidadão comum luta para sobreviver.
Uma das cenas que mais me chamou atenção foi o abraço caloroso entre Michelle Bolsonaro e Alexandre de Moraes.
E eu quero deixar uma coisa muito clara: não estou defendendo falta de educação ou agressividade pública. Civilidade é uma coisa. Agora, intimidade é outra completamente diferente.
Porque, para mim, determinados gestos carregam símbolos muito fortes.
E foi exatamente naquele momento que eu pensei comigo mesmo:
“Se para ser político eu tiver de conviver naturalmente com determinadas pessoas que perseguem adversários, desrespeitam princípios constitucionais ou interpretam a Constituição conforme interesses de grupos e conveniências do momento, então eu jamais fui político e jamais serei político.”
Porque existe algo que, para mim, vem antes da política: o respeito próprio.
E eu repito aquilo que sempre digo:
Quem não se respeita não respeita ninguém. Não respeita o povo. Não respeita a coisa pública. Não respeita instituições. Não respeita absolutamente nada.
E o povo está vendo tudo isso.
Hoje existem redes sociais. Hoje a informação circula rapidamente. Hoje as imagens falam mais do que muitos discursos.
A televisão já não consegue esconder ou controlar determinadas cenas como antigamente, porque as redes sociais romperam essa barreira.
O brasileiro observa. Analisa. Comenta. Percebe as contradições.
Na tribuna existe discurso duro. Nas redes sociais existe enfrentamento. Nos plenários existe tensão.
Mas nos encontros de gala aparecem os abraços, os sorrisos, a intimidade e a confraternização.
E é exatamente isso que revolta tanta gente.
Outra cena que chamou atenção foi a entrada de Lula ao lado da ministra Cármen Lúcia em clima de extrema informalidade institucional.
Mais uma vez, o problema não é educação. O problema é o excesso. É a banalização. É a mistura.
O Brasil parece ter perdido a noção dos limites institucionais.
E como se não bastasse, depois da solenidade ainda houve jantar festivo, música, samba, pagode e dança.
Sinceramente? Às vezes parece que o país vive num grande teatro político, distante completamente da realidade do povo brasileiro.
Porque o povo não está em festa.
O povo está endividado. Está cansado. Está desacreditado.
E o sentimento que fica em muitos brasileiros é resumido naquele velho ditado popular:
“Eles comem a carne, enquanto o povo rói o osso.”
O que mais me preocupa é perceber que muita gente já começou a tratar tudo isso como normal.
E não é normal.
O Brasil vive uma crise moral, institucional e simbólica.
E talvez a pior parte dessa crise seja justamente a perda da vergonha, do limite e do respeito que certos cargos deveriam exigir.























