Por Mário Plaka (*)
As trocas de partidos no Brasil, protagonizadas por caciques políticos, ex-governadores e dezenas de deputados federais, não são fatos isolados nem fruto do acaso. Elas revelam, mais uma vez, a verdadeira natureza do chamado centrão: um agrupamento que não é de direita, não é de esquerda e jamais foi ideológico. O centrão é o partido do poder. Sempre esteve e sempre estará ao lado de quem governa, desde que isso garanta cargos, verbas, influência e acesso irrestrito às estruturas do Estado.
Não sou contra a ocupação de espaços políticos. Ao contrário, eles precisam ser ocupados. O problema é quem ocupa, por que ocupa e a serviço de quem ocupa. Estamos vivendo um período de transição histórica, talvez um dos mais decisivos desde a redemocratização. É agora que o Brasil precisa retomar as rédeas do seu destino. Mas o que vemos é uma elite política que transita há décadas entre Câmara, Senado, Supremo Tribunal Federal e altos gabinetes de Brasília, fingindo disputas ideológicas enquanto protege apenas a própria sobrevivência.
Essas figuras nunca foram verdadeiramente direita ou esquerda. Elas sempre foram poder. E o povo precisa entender isso com clareza: não existe ingenuidade nessa movimentação partidária — existe cálculo. O eleitor não pode mais aceitar o teatro dos discursos inflamados nas redes sociais enquanto, nos bastidores, esses mesmos atores costuram alianças com partidos que ontem eram adversários e hoje são parceiros de ocasião dentro de um governo que flerta abertamente com práticas autoritárias.
Enquanto o povo luta para sobreviver, onde estavam esses senhores? Estavam nas mansões, nos jantares fechados, nas festas, nas viagens internacionais, rindo do povo e negociando o Brasil como se fosse propriedade privada. Não estavam nas filas do SUS, não estavam no transporte público, não estavam enfrentando a violência cotidiana. Estavam garantindo que, independentemente do resultado das urnas, eles continuariam mandando.
É aqui que entra a parte mais dura — e mais verdadeira — deste texto: se o Brasil continuar refém desse sistema, a culpa não será apenas da elite política. Será também do eleitor que se omitiu. O voto não é um favor, não é um gesto automático, não é um número digitado por raiva ou paixão momentânea. O voto é responsabilidade. E quem vota sem critério entrega o país nas mãos de quem não tem nenhum compromisso com o futuro.
Chegou a hora de parar de discutir apenas nomes, especialmente para a Presidência da República, e começar a discutir pautas. O que esse candidato defendeu na Câmara? O que votou no Senado? Que projetos apresentou? A quem serviu quando teve poder? E mais: como ele vive fora do palanque? Como trata seus funcionários? Como conduz suas empresas? Qual é a estrutura moral da sua família? Há envolvimento em esquemas, em privilégios, em negociatas?
Se alguém afirma ter fé cristã, essa fé precisa aparecer nas escolhas políticas. É impossível dizer-se cristão e se aliar a quem defende o aborto, relativiza o crime, protege criminosos condenados por crimes contra o erário e trabalha para calar o povo por meio do medo, da censura e da intimidação institucional. Não existe fé verdadeira dissociada de coerência moral.
Agora começa o período mais perigoso: o da enganação profissional. Eles vão chegar às cidades pagando caro por influência, comprando narrativas, financiando parte da imprensa, cooptando falsas lideranças religiosas, sindicais e comunitárias. Vão sorrir, abraçar, prometer. E muitos vão se vender. É assim que o sistema se mantém vivo: pela cumplicidade local que sustenta o domínio nacional.
O eleitor precisa romper esse ciclo. Precisa entender que cada voto mal dado é mais um nó na corda que prende o Brasil a Brasília. E essa corda não é simbólica. Ela estrangula a liberdade, sufoca o futuro e mantém o povo ajoelhado diante de uma elite que governa para si mesma.
Ou o povo corta a corda, ou continuará sendo puxado por ela.
Brasília não governa sozinha: governa porque muitos, nas cidades, seguram a corda.
Acorda Brasil!























