Por Mário Plaka (*)
Há um antigo provérbio africano que atravessa os séculos sem perder a atualidade:
“O caçador que persegue um elefante não para para atirar pedras nos pássaros.”
Vivemos na era da distração. Nunca houve tanto conhecimento disponível, tanta tecnologia, tantos cursos e tantas oportunidades de comunicação. E, paradoxalmente, nunca foi tão comum encontrar pessoas que não sabem exatamente para onde estão indo.
Não se trata apenas dos jovens. Essa realidade alcança adultos, profissionais experientes, líderes, empresários, famílias e até pessoas que ocupam posições de influência. Muitos caminham, mas sem destino. Correm, mas não sabem por quê. Trabalham, mas não encontram propósito no que fazem.
É comum encontrar pessoas que chegam aos trinta ou quarenta anos ainda sem um projeto claro de vida. Outras concluem uma faculdade e, ao receberem o diploma, descobrem que passaram anos perseguindo um sonho que nunca foi verdadeiramente delas. Há quem construa uma carreira apenas para sobreviver, mas jamais para realizar sua vocação.
O problema não é mudar de caminho quando necessário. O problema é nunca ter escolhido conscientemente um caminho.
Costumo dizer:
“Quem se senta na curva da estrada está sempre correndo o risco de ser atropelado por quem continua caminhando.”
A vida não espera. O tempo não diminui a velocidade para quem decidiu fazer uma pausa permanente. Enquanto alguns permanecem observando, reclamando ou esperando o momento perfeito, outros seguem avançando, aprendendo, corrigindo os próprios erros e construindo o próprio futuro.
O mesmo vale para quem deseja exercer qualquer tipo de liderança.
É preocupante quando alguém pretende ocupar uma função pública, dirigir uma instituição ou liderar pessoas sem possuir uma visão clara do que deseja construir. Liderança não é ocupar um cargo. É saber para onde conduzir aqueles que confiaram em você.
Quem perde tempo respondendo a cada provocação, envolvendo-se em cada polêmica ou desviando-se para assuntos sem importância dificilmente alcançará seu verdadeiro objetivo. Enquanto discute os pássaros, perde de vista o elefante.
Essa reflexão também alcança nossa dimensão espiritual.
Cada pessoa recebeu do Criador talentos, capacidades e oportunidades diferentes. A grande pergunta não é quantos talentos recebemos, mas o que estamos fazendo com eles. Estamos desenvolvendo aquilo que Deus colocou em nossas mãos ou apenas desperdiçando nossos dias com distrações que nada acrescentam?
A vida é curta demais para ser vivida sem direção.
Talvez a pergunta mais importante não seja: “O que você está fazendo hoje?”
Mas, sim:
O que você está construindo com a vida que Deus lhe confiou?
Quem encontra um propósito suporta os obstáculos. Quem define um alvo resiste às distrações. Quem sabe para onde vai dificilmente perde tempo discutindo com quem não sabe nem por onde começou.
No fim das contas, cada um precisará responder por aquilo que fez com os dons recebidos, com as oportunidades que teve e com o tempo que lhe foi concedido.
O caçador sábio continua seguindo o elefante.
Os pássaros continuarão voando.























