Por Mário Plaka (*)
A história recente mostra que regimes autoritários de esquerda não surgem de forma abrupta, com tanques nas ruas ou quartéis fechados. Eles avançam de maneira gradual, sorrateira, sempre sob o discurso da justiça social, do combate à pobreza e da defesa dos mais vulneráveis. Foi assim na Venezuela. Foi assim em Cuba. Foi assim em diversos países africanos. E é esse mesmo roteiro que o brasileiro precisa observar com atenção no Brasil de hoje.
Na Venezuela, Hugo Chávez iniciou seu projeto com apoio popular e discurso social. Em seguida, veio a aliança estratégica com o Judiciário. A Suprema Corte foi aparelhada, juízes independentes foram afastados, o Congresso foi neutralizado e, por fim, uma nova Constituição foi escrita sob medida para concentrar poder. Paralelamente, as Forças Armadas foram cooptadas por meio de cargos, privilégios e controle econômico — especialmente sobre o petróleo. O resultado foi a destruição da democracia e o empobrecimento da população.
Em Cuba, o método foi semelhante: partido único, imprensa controlada, Judiciário subordinado e forças de segurança totalmente leais ao regime. O discurso sempre foi o mesmo — igualdade, justiça social, combate à exploração. O resultado, décadas depois, é miséria, repressão e ausência de liberdade.
Ao observar o Brasil, o paralelo se impõe.
O Partido dos Trabalhadores, sob a liderança de Lula, retorna ao poder amparado por uma relação cada vez mais estreita com o Judiciário. A maioria dos ministros das cortes superiores foi indicada por governos do próprio PT ou de aliados ideológicos, após sabatina em um Senado amplamente dominado por essa mesma base política. Não se trata de acusação pessoal, mas de um desenho institucional preocupante para qualquer democracia.
O Legislativo é progressivamente neutralizado — seja por decisões judiciais, seja por acordos políticos, seja pela criminalização seletiva de adversários. A imprensa, em grande parte, depende de volumosas verbas públicas de publicidade, o que limita sua independência crítica e favorece uma narrativa única.
Na área da segurança pública, observa-se a relativização do crime. Quando autoridades dizem que criminosos “roubam para tomar cervejinha”, quando afirmam que traficantes são vítimas do usuário, ou quando tratam facções como um problema social e não como organizações criminosas, o Estado envia um sinal perigoso. Esse mesmo modelo foi aplicado em países onde o poder público perdeu o controle de territórios inteiros para o crime organizado.
No campo, grupos organizados avançam sobre propriedades privadas sob o discurso da justiça social, repetindo práticas já vistas em regimes autoritários. As forças de segurança passam a ser comandadas por pessoas politicamente alinhadas, bem remuneradas e comprometidas com projetos partidários, não com o Estado.
Nada disso é improviso. É método. É estratégia.
Também não se pode ignorar o histórico de relações do PT com regimes autoritários estrangeiros e episódios envolvendo financiamento político de origem obscura. Quando se observa o volume de recursos que circula nas eleições, a falta de transparência e as alianças internacionais, o alerta se torna inevitável.
A ditadura moderna não se impõe com tanques nas ruas. Ela se instala pelo discurso: o discurso de que está “do lado do pobre”, de que combate a fome e promove justiça social. Mas a história mostra que, onde esse modelo se consolida, a pobreza não diminui — ela se multiplica.
Basta olhar para Cuba, basta olhar para a Venezuela, basta olhar para partes da África.
Este paralelo não busca espalhar medo, mas despertar consciência. Democracias não morrem de um dia para o outro. Elas morrem quando o povo aceita a concentração de poder acreditando que isso será “para o bem comum”.
Ditaduras não chegam com tanques, chegam com discursos, chegam com aplausos, e muitas vezes, chegam com togas.























