Por Mário Plaka (*)
O Brasil volta a se aproximar de um nível de endividamento público que, até pouco tempo atrás, só era registrado em cenários extremos como o da pandemia. A diferença agora é grave: não há crise global que justifique esse descontrole. O que se vê é resultado direto de inabilidade administrativa, decisões equivocadas e uma condução política que colocou o país fora dos trilhos.
O crescimento da dívida pública em um período de normalidade econômica não é apenas preocupante — é inaceitável. Um país com a dimensão, os recursos naturais e o potencial produtivo do Brasil não pode conviver com esse tipo de resultado sem que se aponte responsabilidade clara. O trem da gestão pública está, sim, descarrilhado — e isso não aconteceu por acaso.
A condução econômica do governo federal evidencia falta de planejamento, ausência de compromisso com o equilíbrio fiscal e incapacidade de conter o avanço dos gastos. A máquina pública segue inchando, pressionando cada vez mais o orçamento, enquanto o cidadão sente no bolso o peso de impostos, inflação e perda de poder de compra.
Parte importante desse problema está na forma como o Estado tem sido ocupado. Estatais, que deveriam ser instrumentos de eficiência e desenvolvimento, acabam sendo utilizadas como espaços de acomodação política. Indicações sem critério técnico comprometem resultados, geram prejuízos e ampliam o rombo nas contas públicas. É legítimo questionar: quais dessas empresas têm, de fato, contribuído para esse cenário de deterioração? Quais decisões foram tomadas por gestores preparados — e quais foram fruto de interesses partidários?
Não se trata apenas de um governo isolado, mas de um conjunto de partidos que sustentam essa estrutura. Cada legenda que indicou nomes sem qualificação técnica para cargos estratégicos carrega sua parcela de responsabilidade. A conta não é abstrata: ela chega ao cidadão na forma de mais impostos, menos serviços e um futuro comprometido.
Enquanto isso, estados e municípios, em muitos casos, demonstram maior responsabilidade fiscal, alcançando superávit e controle de gastos. O contraste escancara a ineficiência do governo central e reforça a percepção de que o problema não é falta de recursos — é má gestão.
O Brasil não pode normalizar o erro. Não pode aceitar que, fora de uma crise global, sua dívida se comporte como em tempos de calamidade. Isso não é destino, é escolha. Escolha de quem governa, de quem indica e, principalmente, de quem vota.
O eleitor precisa compreender o peso da sua decisão.
Cada voto sustenta um modelo de gestão. Cada escolha define se o país seguirá avançando ou continuará preso a ciclos de desperdício, incompetência e retrocesso.
A mudança não virá de discursos, mas de responsabilidade — nas urnas e fora delas.























