Por Mário Plaka (*)
Quando o discurso encanta por fora, mas a prática expõe o que há por dentro, o PSD tenta vender ao eleitor uma imagem que não se sustenta na realidade. Com dezenas de cargos de confiança ocupados dentro do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a tentativa de se apresentar como uma alternativa de direita soa menos como posicionamento ideológico e mais como estratégia de conveniência.
A política brasileira, cada vez mais, se parece com um verdadeiro sepulcro caiado: impecável na aparência, mas corroída por dentro. O eleitor é seduzido por discursos bem ensaiados, por imagens cuidadosamente montadas e por promessas que parecem alinhadas com seus valores. No entanto, basta um olhar mais atento para perceber que, por trás dessa fachada limpa, existe um histórico marcado por alianças oportunistas, contradições e adaptação ao poder de plantão.
Não se trata apenas do que se diz hoje, mas do que se fez ao longo do tempo. Trajetória não se apaga com marketing. Prática não se substitui por discurso. Um partido que participou, apoiou e se beneficiou de determinadas estruturas de poder não pode, de uma hora para outra, se apresentar como o oposto daquilo que ajudou a sustentar.
O eleitor brasileiro precisa entender que não existe neutralidade dentro do poder. Quem ocupa cargos, quem participa de decisões, quem integra a engrenagem governamental, carrega responsabilidade direta pelos rumos do país. Não há como separar o discurso individual da prática coletiva. Não há como vestir uma roupa ideológica diferente sem que o histórico venha à tona.
Autodeclaração não muda essência. Dizer-se de direita não transforma automaticamente práticas que caminham em outra direção. E é exatamente essa incoerência que precisa ser confrontada com lucidez, não com paixão cega.
A pergunta que permanece é simples e incômoda: até quando o brasileiro continuará votando na aparência? Até quando o marketing político será mais forte que a memória? Até quando discursos serão aceitos sem confronto com a realidade?
O Brasil não precisa de embalagens bonitas. Precisa de verdade. Precisa de coerência. Precisa de responsabilidade.
Se a política é o reflexo da sociedade, então a mudança começa no eleitor. Ou continuamos aceitando sepulcros caiados, ou passamos a exigir conteúdo, coragem e consistência.
Porque, no fim, não é o que se diz no palanque que governa o país — são as decisões tomadas nos bastidores.
Acorda, eleitor brasileiro.























