Por Mário Plaka (*)
A pergunta que precisa ser feita não é apenas sobre presidentes ou governadores — é sobre o fracasso do Legislativo e a responsabilidade do eleitor.
O Brasil vive uma contradição brutal. Somos um país que arrecada trilhões em impostos todos os anos e, mesmo assim, oferece serviços públicos precários, infraestrutura frágil, segurança insuficiente e uma população cada vez mais pressionada economicamente e psicologicamente.
Em um raciocínio simples e direto, apresentado pelo jornalista independente Neymar — que fez um retrato claro da engrenagem tributária brasileira — fica evidente o tamanho do peso que recai sobre o trabalhador.
Imagine um trabalhador que recebe cerca de 10 mil reais por mês. No papel parece um bom salário. Mas quando se olha a conta completa, a realidade é outra. Entre encargos pagos pelo empregador, tributos sobre o salário e impostos sobre o consumo, a maior parte da riqueza gerada pelo trabalho acaba nas mãos do Estado.
Na prática, de tudo que circula para pagar aquele trabalho, o trabalhador fica com uma fração real de poder de compra, enquanto o governo concentra a maior parte da arrecadação. E mesmo assim, o cidadão continua convivendo com transporte precário, saúde sobrecarregada, segurança instável e serviços públicos que muitas vezes sequer existem.
É uma equação que não fecha. Arrecadação de primeiro mundo, serviços de terceiro.
Mas aqui é preciso dizer algo que muitos evitam: a responsabilidade por essa situação não está apenas no Executivo. Durante décadas, o debate político no Brasil foi reduzido à figura de presidentes, governadores e prefeitos.
Isso é apenas parte da história. A raiz do problema está no Legislativo.
Senadores que passam 12, 20 anos no poder. Deputados federais que transformam mandatos em carreira permanente. Famílias inteiras dominando cadeiras no Congresso Nacional. Assembleias legislativas cheias de parlamentares que raramente representam de fato seus estados.
E nas câmaras municipais, muitas vezes encontramos vereadores sem preparo, sem independência e sem consciência da responsabilidade que têm como fiscais do poder público.
Quando o Legislativo falha, todo o sistema apodrece.
Governadores passam a governar sem fiscalização séria. Prefeitos operam sem controle efetivo. E a máquina pública vira terreno fértil para desperdício, corrupção e alianças de interesse.
Por isso é preciso dizer com clareza: o Legislativo brasileiro é cúmplice da crise nacional.
Mas há também outra responsabilidade que não pode ser ignorada: a do eleitor.
Cada mandato nasce nas urnas.
Enquanto continuarmos reelegendo quem já teve oportunidade e não entregou resultados, enquanto aceitarmos famílias políticas se perpetuando no poder, enquanto votarmos por paixão ideológica e não por responsabilidade cívica, continuaremos alimentando o mesmo sistema que nos sufoca.
Por isso o Brasil precisa despertar.
A mudança não começa em Brasília.
Ela começa na consciência da população.
O país precisa parar, refletir e entender uma verdade fundamental da democracia: o poder não pertence aos políticos. O poder emana do povo.
Quando o povo se levanta, a política muda.
Quando a sociedade cobra, o sistema se reorganiza.
E quando a chamada “senzala” decide levantar a cabeça, os palácios percebem que são muito menores do que imaginavam.
O Brasil precisa de cidadãos atentos, eleitores exigentes e representantes que saibam que mandato não é privilégio — é responsabilidade.
Sem isso, continuaremos vivendo a mesma contradição: um país rico em arrecadação e pobre em dignidade pública.
E essa conta, quem paga, é sempre o povo.























