Por Mário Plaka (*)
Uma denúncia recebida recentemente envolvendo uma obra pública em minha cidade traz à tona uma preocupação que deveria ser permanente: a qualidade das construções que fazem parte da vida da população.
Segundo o relato de um servidor público, existem dúvidas sobre a execução de uma determinada ponte, incluindo possíveis diferenças entre o projeto e a obra realizada. A informação ainda precisa ser apurada e, justamente por isso, a fiscalização e a transparência são indispensáveis.
Quando uma obra pública apresenta qualquer sinal de irregularidade, não se trata apenas de concreto, ferro ou engenharia. Trata-se de segurança. Trata-se de vidas.
Essa reflexão ganha ainda mais força diante de tragédias que colocam em evidência a capacidade de uma sociedade de responder a situações extremas. O mundo acompanha os impactos de desastres que atingem populações inteiras e mostram que, além da força da natureza, existem fatores humanos que podem agravar ou reduzir as consequências.
Uma pergunta precisa ser feita: Estamos preparados? Preparados com estruturas seguras? Com planejamento? Com equipes capacitadas? Com profissionais suficientes para atender a momentos de emergência?
Ao longo dos últimos anos, a Venezuela enfrentou um grande processo de saída de profissionais qualificados, incluindo médicos, engenheiros, cientistas e especialistas de diversas áreas. A perda de pessoas com conhecimento técnico é um desafio para qualquer país, pois afeta setores essenciais, principalmente em momentos de crise.
Esse tipo de situação deve servir de reflexão para todas as sociedades. Un país precisa cuidar dos seus profissionais, valorizar o conhecimento e garantir que sua capacidade técnica esteja a serviço da população.
O Brasil também precisa fazer perguntas importantes. Como estão nossas pontes? Como estão nossos hospitais? Como estão as escolas, os prédios públicos, as moradias e as estruturas que recebem diariamente milhões de pessoas?
Fiscalizar não é criar conflito. Fiscalizar é proteger.
O dinheiro público precisa ser acompanhado pela sociedade. Cada recurso aplicado deve ter como resultado uma obra segura, durável e capaz de cumprir sua finalidade.
Uma sociedade madura não espera uma tragédia acontecer para depois procurar respostas. Ela previne. Ela acompanha. Ela cobra. E, acima de tudo, ela coloca a vida humana como prioridade.
Também existe um dever que ultrapassa fronteiras: a solidariedade. Diante do sofrimento de outras pessoas, não podemos perder nossa humanidade. Toda ajuda destinada a quem enfrenta uma tragédia representa esperança para quem perdeu quase tudo.
Que possamos aprender com cada alerta, cada denúncia e cada acontecimento. Porque estruturas podem ser reconstruídas. Mas vidas perdidas não voltam.























