Por Mário Plaka (*)
Mais uma operação da Polícia Federal volta a sacudir o cenário político brasileiro em um período pré-eleitoral. Novamente, nomes ligados ao alto escalão da política nacional aparecem envolvidos em investigações, escutas telefônicas, quebra de sigilo e relações que levantam suspeitas sobre a promiscuidade entre poder político, influência econômica e interesses privados.
E a pergunta que fica é simples: até quando o povo brasileiro continuará fingindo surpresa?
Há alguns meses, fizemos um material falando sobre “colocar a raposa para vigiar o galinheiro”. Talvez hoje seja necessário ampliar essa metáfora. Porque não é apenas a raposa. Muitas vezes colocam também o lagarto para auxiliar no serviço. A raposa come as galinhas e os pintinhos. O lagarto destrói os ovos, ataca os menores e ajuda a desmontar tudo silenciosamente.
Assim funciona boa parte da política brasileira.
Não se trata apenas de um governo específico. Não é exclusividade de direita, esquerda, centro ou qualquer legenda. O Brasil vem atravessando décadas de escândalos, denúncias e operações policiais envolvendo figuras que passaram pelo poder ou que orbitam ao redor dele. Presidentes, ministros, governadores, deputados, senadores, empresários e donos de partidos.
E aqui está um dos pontos mais graves: os chamados “donos de partido”.
No Brasil, partido político virou uma das franquias mais valiosas da República. Muitos partidos deixaram de representar ideias para representar interesses. Estruturas criadas para negociar poder, tempo de televisão, fundo partidário, influência e proteção política. E, em muitos casos, quem controla essas estruturas está justamente dentro do Legislativo.
Enquanto parte da população aponta o dedo apenas para o Executivo ou para o Judiciário, muitos fazem festa nos bastidores do Legislativo.
Se tivéssemos um Congresso formado majoritariamente por homens e mulheres honrados, comprometidos com a ética pública e com respeito ao povo trabalhador, talvez o Brasil tivesse outro destino institucional. Porque leis ruins não surgem do nada. Projetos nocivos não aparecem sozinhos. Existe articulação, negociação, interesse e conveniência.
E existe também responsabilidade do eleitor.
Pode parecer duro dizer isso, mas a verdade precisa ser dita: boa parte do que acontece no Brasil nasce nas urnas. O eleitor brasileiro precisa parar de escolher candidatos apenas por emoção, marketing, discurso bonito ou conveniência momentânea.
É necessário investigar a vida pregressa de quem pede voto.
Como essa pessoa trata a própria família? Como trata a esposa, os filhos, os amigos? Se é empresário, como trata seus funcionários? Como se comporta diante do dinheiro, do poder e das responsabilidades?
Porque quem não respeita a si próprio dificilmente respeitará o povo.
Quem não honra a própria palavra não honrará mandato. Quem explora trabalhadores fora da política provavelmente continuará explorando dentro dela. Quem vive de arrogância e manipulação apenas troca de ambiente quando chega ao poder.
Muitos dizem que a política corrompe as pessoas. Em muitos casos, não. A pessoa já era problemática antes. Já carregava vícios morais, desonestidade e ambição descontrolada. O que faltava era espaço, influência e oportunidade.
A política apenas ampliou aquilo que já existia dentro dela.
Por isso, o Brasil precisa urgentemente deixar de idolatrar figuras políticas e começar a fiscalizar caráter, histórico, postura e coerência. Democracia não sobrevive apenas com voto. Democracia exige vigilância, memória e responsabilidade coletiva.
O alerta está dado.























