A Usiminas apresentou nesta quarta-feira (6) um plano de investimentos de R$ 1,6 bilhão para 2026, com foco principal na unidade de Ipatinga, que deve receber R$ 971 milhões em aportes. O anúncio foi feito pelo diretor-presidente da empresa, Marcelo Chara, durante apresentação à imprensa sobre o cenário da indústria siderúrgica e os desafios enfrentados pelo setor diante do aumento das importações chinesas.
Durante a exposição, o executivo afirmou que a companhia mantém a estratégia de ampliar a eficiência operacional e preservar a competitividade da produção nacional em meio ao avanço do aço estrangeiro no mercado brasileiro. Segundo dados apresentados pela empresa, o Brasil se tornou, em 2025, o principal destino das exportações chinesas de aços planos fora da Ásia, com volume estimado em 2,7 milhões de toneladas.
Os números apresentados pela siderúrgica indicam diferença expressiva em relação a outros mercados consumidores. Os Estados Unidos, por exemplo, aparecem na comparação com cerca de 200 mil toneladas importadas no mesmo período.
A Usiminas também chamou atenção para o crescimento das chamadas importações indiretas, relacionadas à entrada no país de produtos industrializados fabricados com aço estrangeiro. Conforme dados citados pela companhia, com base em metodologia do Instituto Aço Brasil, essas importações passaram de US$ 61 bilhões em 2023 para US$ 86 bilhões em 2025. Entre os segmentos mencionados estão automóveis, eletrodomésticos, bens de capital, construção civil e eletroeletrônicos.
No cenário internacional, a empresa destacou que diversos países têm adotado medidas de proteção comercial para conter o avanço do aço chinês. No Brasil, o governo federal aplicou, em fevereiro, medidas antidumping sobre produtos laminados planos a frio e revestidos originários da China, com validade prevista de até cinco anos.
Apesar do ambiente competitivo, a Usiminas informou melhora nos resultados financeiros do primeiro trimestre de 2026. O Ebitda ajustado consolidado atingiu R$ 653 milhões, crescimento de 56% em comparação ao trimestre anterior. A receita líquida da companhia chegou a R$ 5,9 bilhões no período.
As vendas de aço, por outro lado, registraram retração de 7%, totalizando 1,007 milhão de toneladas comercializadas entre janeiro e março deste ano.
Entre os projetos considerados estratégicos para Ipatinga está a modernização da Coqueria 2. Um dos principais investimentos previstos é o reparo a quente da Bateria 3, orçado em R$ 978 milhões, com conclusão estimada para 2028.
A empresa também planeja a reconstrução parcial da Bateria 4, empreendimento estimado em R$ 1,7 bilhão, além da implantação de uma nova planta de moagem e injeção de PCI e da construção de um novo gasômetro para a unidade industrial.
A siderúrgica ressaltou ainda a relevância econômica da operação para o Vale do Aço. Segundo informações divulgadas pela companhia, foram movimentados R$ 1,3 bilhão em compras junto a fornecedores da região em 2025, além do recolhimento de R$ 47,9 milhões em impostos nos municípios locais.
Localizada no bairro Bom Retiro, em Ipatinga, a usina segue como uma das principais estruturas industriais da empresa em Minas Gerais e concentra parte significativa da estratégia de modernização da companhia para os próximos anos.























