Por Mário Plaka (*)
Hoje, enquanto fazia compras em um supermercado, encontrei um velho conhecido: um empresário já aposentado, um homem que marcou a história do comércio do Vale do Aço. Ao longo da vida, gerou empregos, oportunidades e desenvolvimento. Foi respeitado por funcionários, clientes, fornecedores e pela sociedade. Um empreendedor de verdade.
Nossa conversa foi breve, mas deixou uma reflexão profunda. Ele me disse:
— Mário Plaka, você é uma história de Coronel Fabriciano.
Respondi imediatamente:
— Não, meu amigo. Nós somos a história. Cada cidadão é a história.
Essa resposta ficou ecoando dentro de mim. Vivemos um tempo em que muitos se apresentam como empresários, mas nem todos honram esse título. Ser empresário não é apenas possuir um CNPJ ou administrar uma empresa. Empreender significa produzir riqueza de forma honesta, gerar empregos, respeitar trabalhadores, cumprir compromissos com fornecedores e contribuir para o crescimento da sociedade.
Infelizmente, existem aqueles que utilizam empresas para participar de esquemas de corrupção, fraudes em licitações e conluios com agentes públicos. Quando isso acontece, deixam de honrar o empreendedorismo e passam a responder por seus próprios atos, caso pratiquem crimes. Quem desvia recursos públicos retira da população aquilo que deveria chegar aos hospitais, às escolas, à infraestrutura e aos serviços essenciais.
O prejuízo não é apenas financeiro. Muitas vezes, a corrupção significa menos atendimento médico, menos medicamentos, menos oportunidades e mais sofrimento para quem depende do Poder Público.
Mas esta reflexão não é apenas sobre corrupção. Ela é sobre legado. Que história estamos escrevendo?
Quando nossos filhos e netos ouvirem nosso nome, o que será lembrado? Que exemplo deixaremos? Que marcas permanecerão depois que não estivermos mais aqui?
Outro dia ouvi de uma pessoa da vida pública uma frase que me marcou. Ela disse que poderiam discordar das minhas opiniões, poderiam considerar meu jeito firme ou minhas palavras duras, mas ninguém poderia dizer que fui desonesto, que prejudiquei alguém por falta de caráter ou que vivi do trabalho dos outros.
Recebi essas palavras com gratidão. Nem sempre a sinceridade agrada. Quem fala o que pensa, muitas vezes, conquista menos aplausos. Mas prefiro a sinceridade à conveniência, a honestidade à falsa amizade e a verdade à cumplicidade com aquilo que destrói famílias, empresas e instituições.
Não tenho interesse em caminhar ao lado de quem vive da mentira, da corrupção ou da desonestidade. Prefiro poucos companheiros, mas de caráter.
Ao empresário que encontrei hoje, deixo meu respeito e minha admiração. Não menciono seu nome porque não conversei com ele sobre esta homenagem. Mas ele representa tantos brasileiros que construíram suas cidades com trabalho, coragem e dignidade.
Da mesma forma, existem homens e mulheres na política que também honram a função pública com seriedade e compromisso. Eles igualmente merecem reconhecimento.
A história não é escrita apenas pelos grandes acontecimentos. Ela começa dentro de casa. Começa na educação dos filhos, no respeito ao próximo, no trabalho honesto, na palavra cumprida, na forma como tratamos as pessoas e nas escolhas que fazemos todos os dias.
O Brasil que desejamos construir começa na nossa família, passa pela nossa rua, pelo nosso bairro, pela nossa cidade e alcança toda a nação.
Você é a história. Eu sou a história.
Que o nosso legado seja motivo de orgulho para aqueles que vierem depois de nós.
Pense nisso.























