Por Mário Plaka (*)
O Brasil atravessa um momento que exige coragem para dizer a verdade. Depois de observarmos um dos Judiciários mais caros do mundo, um Legislativo extremamente custoso e um Executivo cada vez mais inchado, a pergunta inevitável surge diante do povo brasileiro: quem está pagando essa conta?
A resposta é simples: o trabalhador, o empreendedor, o pequeno produtor e o cidadão comum que sustenta este país todos os dias.
Ao olhar para o Brasil de hoje, três reflexões históricas parecem descrever com precisão o cenário que estamos vivendo.
O filósofo francês Voltaire já alertava: “O melhor governo é aquele em que há o menor número de homens inúteis.”
Essa frase atravessa séculos e continua atual.
Se alguém quiser avaliar a qualidade de uma administração pública, basta observar os cargos de confiança e os ministérios criados dentro do governo.
Quanto mais cargos surgem para acomodar interesses políticos, mais o Estado deixa de servir ao país e passa a servir aos apadrinhamentos e alianças eleitorais.
O Brasil viu recentemente um período em que o governo federal operava com menos ministérios e uma estrutura mais enxuta. Goste-se ou não daquele governo, os fatos mostram que mesmo enfrentando uma pandemia mundial, o país apresentava mais estabilidade econômica, mais previsibilidade e menos expansão da máquina pública.
Hoje vemos o caminho inverso: mais ministérios, mais cargos, mais estrutura política — e menos resultado para quem trabalha.
Isso levanta uma questão séria: algumas dessas estruturas parecem estar comprometidas com qualquer coisa, menos com o desenvolvimento do Brasil, a defesa da soberania nacional e a prosperidade do povo brasileiro.
A segunda reflexão vem do escritor e pensador francês Honoré de Balzac:
“As leis são como teias de aranha: apanham os pequenos insetos e são rasgadas pelos grandes.”
Essa frase parece descrever com exatidão o funcionamento de grande parte do sistema legal brasileiro.
Na prática, muitas leis acabam pesando principalmente sobre:
o pequeno empreendedor
o trabalhador formal
o pequeno produtor
o cidadão comum que tenta sobreviver com dignidade
Enquanto isso, escândalos surgem repetidamente envolvendo estruturas de poder, instituições públicas e grandes interesses políticos.
E quando esses casos chegam às instâncias de julgamento, muitas vezes o que o povo vê é algo revoltante:
processos que se arrastam, decisões questionadas e pessoas poderosas saindo pela porta da frente.
Cresce então um sentimento perigoso dentro da sociedade brasileira:
o de que denunciar um crime pode ser mais arriscado do que praticá-lo.
Porque quem tem dinheiro e influência muitas vezes consegue contratar estruturas jurídicas poderosas e conexões políticas capazes de atravessar o sistema sem grandes consequências.
Enquanto isso, o cidadão comum enfrenta uma realidade dura:
trabalha o mês inteiro, paga impostos altíssimos e muitas vezes não consegue uma cirurgia, não consegue atendimento digno e não consegue sequer comprar um remédio básico.
O terceiro alerta vem do pensador italiano Antonio Gramsci:
“Tudo é política, inclusive o seu silêncio.”
O silêncio da sociedade, muitas vezes disfarçado de neutralidade, também produz consequências.
Governos, parlamentos e instituições não surgem do nada.
Eles são resultado direto das escolhas feitas nas urnas — ou da ausência delas.
Quando o cidadão se afasta da política, quando aceita tudo em silêncio, quando deixa de fiscalizar e cobrar, abre-se espaço para que estruturas de poder se consolidem sem resistência.
E é nesse momento que surgem os maiores riscos para qualquer democracia:
a combinação de poder concentrado, silêncio social e instituições distantes do povo.
Por isso, este editorial deixa um chamado direto:
Acorda, povo brasileiro.
Acorda, eleitor.
O Brasil não precisa de mais estruturas políticas.
O Brasil precisa de gestão, responsabilidade, respeito ao dinheiro público e compromisso com quem sustenta esta nação.
Essas três reflexões filosóficas não são apenas frases antigas.
Elas são alertas que atravessam séculos e continuam descrevendo com precisão o momento que vivemos.
E ignorar esses alertas pode custar caro para o futuro do país.























