Por Mário Plaka (*)
O eleitor brasileiro costuma exigir currículo, experiência e confiança de um profissional comum antes de contratá-lo. Mas, quando o assunto é política, muitos deixam de analisar justamente aquilo que deveria ser essencial: a vida pregressa, o preparo, as alianças, o comportamento público e os resultados concretos apresentados por quem quer ocupar cargos tão importantes.
No Vale do Aço, até o momento, os nomes colocados como pré-candidatos a deputado estadual e deputado federal ainda não apresentaram algo verdadeiramente sólido que passe segurança ao eleitor. Faltam propostas reais, debates profundos e projetos palpáveis voltados para os problemas da região. O que mais se vê são discursos genéricos, promessas vazias e muita falácia política.
Recentemente, tive conversa com três pré-candidatos. E confesso que fiquei com dó — não deles, mas do eleitorado que ainda acredita e deposita esperança em certas pessoas.
Quando comecei a falar sobre segurança pública, um deles simplesmente não sabia praticamente nada sobre o tema. Fiz perguntas sobre educação, saneamento básico, inclusão social, planejamento urbano, acessibilidade e mobilidade urbana. O resultado foi assustador. Ficaram mais perdidos que cachorro quando cai da mudança em cima de uma ponte: não sabe se volta para casa ou corre atrás do caminhão.
E aí vem a pergunta: como alguém quer representar uma região inteira sem sequer conhecer os problemas básicos que afetam a população?
Mas o mais grave ainda estava por vir.
Um desses candidatos apareceu acompanhado de algumas pessoas. Dias depois, um dos integrantes do grupo passou em um local onde costumo conversar com empresários e soltou a seguinte frase para uma pessoa:
“Você quer ganhar dinheiro? Porque eu tenho um candidato para te apresentar. Aí você fala quanto quer para apoiar ele.”
É nesse nível que parte da política está funcionando.
Se antes esse candidato já não demonstrava preparo suficiente para merecer apoio, depois dessa situação ficou ainda mais evidente que não existe seriedade. Porque pessoas sérias procuram pessoas sérias para caminhar ao lado delas.
E não adianta dizer que “todo mundo tem seu preço”. Não. Uma coisa é sobreviver; outra completamente diferente é vender posicionamento político, consciência e influência em troca de dinheiro, enquanto a cidade continua abandonada e a população pagando a conta.
O Brasil está da forma que está justamente porque muitos transformaram a política em negócio pessoal. Lideranças comunitárias, certos presidentes de associações, donos de pequenas igrejas e até estruturas maiores negociam apoio político em troca de vantagens, reformas, bandas, benefícios financeiros e interesses próprios. E depois são os mesmos que sobem em púlpitos, microfones ou redes sociais para reclamar da corrupção e do abandono político.
O eleitor precisa entender que voto não pode ser tratado como mercadoria temporária. Quem vende apoio por interesse financeiro durante 30, 60 ou 90 dias de campanha demonstra não ter compromisso algum com a cidade, com o estado ou com o país.
Muitos criticaram a famosa frase do Tiririca — “pior que tá não fica” — mas a realidade mostrou que, em muitos casos, ficou pior sim. Porque sem preparo, compromisso e seriedade, o resultado é o enfraquecimento da representação popular.
Infelizmente, até agora, não surgiu no Vale do Aço alguém que consiga demonstrar de forma clara capacidade, independência e compromisso suficiente para representar verdadeiramente a região na Assembleia Legislativa ou na Câmara Federal. E isso não se analisa apenas no discurso bonito. Basta observar quem está ao lado de cada pré-candidato, quais interesses o cercam e quais práticas acompanham sua caminhada política.
O eleitor precisa aprender a investigar políticos da mesma forma que investigaria alguém que fosse administrar sua empresa, sua casa ou seu patrimônio. Afinal, são eles que irão administrar recursos públicos, criar leis e decidir o futuro da população.























