O governo federal utilizou uma operadora turística para viabilizar a contratação de navios que servirão como hospedagem durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). Documentos oficiais apontam que a empresa escolhida pertence a um empresário com vínculos societários com o banqueiro Daniel Vorcaro em um empreendimento hoteleiro de alto padrão.
De acordo com registros da Casa Civil, a contratação foi realizada por meio da Secretaria Especial da COP30, que acionou a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) para conduzir o processo. A Embratur, por sua vez, subcontratou a Qualitours Agência de Viagens e Turismo Ltda., responsável por firmar acordos com as operadoras marítimas Costa Cruzeiros e MSC Cruzeiros para disponibilização de cabines.
A estratégia prevê o uso de embarcações como alternativa de hospedagem para as delegações internacionais esperadas no evento, ampliando a capacidade de acomodação da cidade-sede.
A Qualitours integra a holding BeFly e tem como proprietário o empresário Marcelo Cohen. Ele é apontado como sócio de Daniel Vorcaro no hotel Botanique, localizado em Campos do Jordão, no interior paulista. Enquanto Vorcaro já associou o empreendimento à empresa Prime You, Cohen declarou publicamente participação direta na propriedade do hotel.
A relação entre Cohen e o banco ligado a Vorcaro também envolve operações financeiras. Reportagem da Folha de S. Paulo mencionou a utilização de recursos de fundos vinculados ao Banco Master na expansão da BeFly, incluindo a aquisição de outras empresas do setor de turismo. Ainda segundo o jornal, um relatório de inteligência financeira registrou uma transação em espécie de R$ 6 milhões entre o banco e uma empresa de Cohen, em 2024.
Em nota, a Embratur informou que a escolha da Qualitours ocorreu por meio de chamamento público e que a empresa apresentou a documentação necessária para comprovar capacidade técnica e regularidade. A agência destacou ainda que não houve participação do Banco Master na contratação e que a operação contou com garantia financeira do BTG Pactual.
O órgão também afirmou que o modelo adotado foi analisado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que considerou o processo regular. Segundo a Embratur, a corte avaliou que a alternativa adotada foi mais vantajosa economicamente em comparação ao fretamento direto das embarcações.
Procurada, a BeFly declarou que mantém relação com o Banco Master apenas no âmbito de linhas de crédito contratadas entre 2021 e 2023, ressaltando que os compromissos seguem sendo cumpridos e que a empresa opera com autonomia financeira.
Já a Qualitours afirmou que sua contratação seguiu critérios técnicos e legais, reiterando a conformidade dos serviços prestados no projeto voltado à COP30.























