O governo brasileiro revogou o visto de Darren Beattie, assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tinha viagem prevista ao Brasil na próxima semana. A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (13) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores.
Segundo o Itamaraty, a medida foi tomada após a identificação de inconsistências nas informações apresentadas por Beattie no momento da solicitação do visto em Washington. De acordo com a pasta, houve omissão e distorção de dados sobre o motivo da viagem, o que, segundo a legislação brasileira e normas internacionais, é motivo suficiente para negar ou cancelar o documento.
Em nota, o ministério informou que a revogação ocorreu em razão da “omissão e falseamento de informações relevantes quanto ao motivo da visita por ocasião da solicitação do visto”. O órgão destacou ainda que esse tipo de irregularidade permite a negativa do visto conforme previsto nas regras vigentes.
A viagem de Beattie ao Brasil incluía uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso na unidade conhecida como Papudinha, em Brasília. O encontro, no entanto, já havia sido impedido na quinta-feira (12) por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A medida do magistrado ocorreu após manifestação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Em comunicação ao STF, o chanceler argumentou que o encontro entre um integrante do governo norte-americano e um ex-presidente brasileiro em período eleitoral poderia ser interpretado como interferência externa em assuntos internos do país.
No documento, Vieira afirmou que a visita de um representante de Estado estrangeiro a uma liderança política brasileira durante o processo eleitoral “pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”.
Durante agenda no Rio de Janeiro nesta sexta-feira, o presidente Lula comentou o caso e associou a decisão à situação envolvendo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Segundo o chefe do Executivo, o visto de Padilha para entrar nos Estados Unidos estaria bloqueado.
“Enquanto não liberarem o visto do meu ministro da Saúde, aquele cidadão americano não virá ao Brasil”, afirmou o presidente ao falar sobre o episódio.
Paralelamente, o Ministério das Relações Exteriores convocou o encarregado de negócios da embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, para prestar esclarecimentos sobre a viagem planejada por Beattie. O diplomata foi recebido na terça-feira (10) pelo embaixador Roberto Abdalla, secretário para América do Norte e Europa do Itamaraty.
Apesar do episódio, fontes do governo brasileiro indicam que a revogação do visto não deve provocar um agravamento nas relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Segundo interlocutores do Planalto, a avaliação é de que o caso será tratado dentro dos canais diplomáticos habituais entre os dois países.























