O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou duramente o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, após declarações sobre o sotaque do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar classificou como “asquerosa” a fala do magistrado e saiu em defesa dos mineiros.
A manifestação de Nikolas ocorre em meio à escalada de críticas entre Zema e Gilmar Mendes, que passaram a incluir referências ao modo de falar do político mineiro. “Vai alguém atacar o sotaque do nordestino pra você ver. A esquerda já estaria fazendo a terceira guerra mundial. Asquerosa a declaração desse ministro sobre nós mineiros”, escreveu o deputado, em tom de reprovação.
A controvérsia ganhou força após o ministro afirmar, em entrevista ao Jornal da Globo, que teria dificuldade em compreender o “dialeto” utilizado por Zema, descrevendo-o como uma “língua próxima do português”. A declaração foi recebida com reação imediata por parte de aliados do ex-governador, que consideraram o comentário desrespeitoso.
Durante agenda em Anápolis (GO), Zema respondeu às críticas e afirmou que encara a situação com orgulho. Segundo ele, a observação do ministro não atinge apenas sua pessoa, mas também milhões de mineiros que compartilham características semelhantes na fala. “Se ele está criticando o meu sotaque, eu fico muito honrado e orgulhoso”, declarou.
O episódio se insere em um contexto mais amplo de tensão institucional. Gilmar Mendes apresentou uma notícia-crime contra Zema, solicitando a inclusão do ex-governador no chamado inquérito das fake news, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. O caso aguarda manifestação da Procuradoria-Geral da República.
A ação foi motivada por um vídeo divulgado por Zema nas redes sociais, no qual bonecos de fantoche simulam ministros do STF em um diálogo fictício. Para Gilmar Mendes, o conteúdo atinge a honra da Corte e de seus integrantes.
Com a repercussão, o episódio ultrapassa o campo jurídico e ganha contornos políticos, ampliando o debate público sobre os limites das críticas entre autoridades e o respeito a características culturais, como o sotaque regional.























