Por Mário Plaka (*)
Ao longo da história, sempre que um grupo político se fecha no poder e passa a controlar as principais estruturas de uma nação, o resultado costuma seguir o mesmo roteiro: os que comandam prosperam, os que sustentam o sistema empobrecem.
É uma lógica antiga e cruel.
Quando partido, governo, burocracia estatal, setores da imprensa alinhada e parcelas das instituições passam a funcionar como engrenagens de proteção mútua, nasce um sistema que já não serve ao povo — serve a si mesmo.
Os dirigentes desse modelo vivem cercados de privilégios. Mantêm influência, acesso, proteção, cargos, benefícios e poder. Seus aliados orbitam contratos, nomeações, verbas e facilidades. Seus familiares e círculos próximos desfrutam da estabilidade que o cidadão comum jamais conhece.
Enquanto isso, do outro lado, está o povo real.
O trabalhador acorda cedo e vê o salário perder valor. O pequeno empreendedor enfrenta impostos sufocantes, burocracia interminável, crédito caro e insegurança jurídica. O comerciante luta para manter portas abertas. O produtor rural enfrenta entraves. O jovem perde esperança. A classe média encolhe. Os pobres continuam dependentes de programas que aliviam a dor, mas raramente libertam da dependência.
Esse contraste não é acidente. É consequência.
Quando o sistema precisa sobreviver, ele concentra recursos no topo e distribui migalhas na base. Precisa manter uma elite satisfeita e uma população suficientemente fragilizada para depender dele.
Por isso tantos regimes fechados ao redor do mundo repetiram o mesmo padrão. Em diversos países da América Latina, África e outras regiões, o discurso foi igualdade; o resultado foi casta política rica e povo pobre. O discurso foi justiça social; o resultado foi escassez, fuga de talentos, repressão econômica e concentração de poder.
No Brasil, muitos cidadãos começam a perceber esse mecanismo. Escândalos sucessivos, desperdício de dinheiro público, crescimento da máquina estatal e dificuldade de quem produz revelam uma engrenagem que pune mérito e recompensa proximidade com o poder.
Quem trabalha paga a conta. Quem empreende carrega riscos. Quem gera empregos enfrenta obstáculos. Quem está no comando preserva vantagens.
E toda vez que alguém tenta romper esse modelo, surgem reações intensas. Porque sistemas fechados não aceitam facilmente concorrência política, transparência administrativa ou perda de controle narrativo.
O debate nacional precisa amadurecer.
Não se trata de esquerda ou direita como rótulos vazios. Trata-se de liberdade econômica, instituições equilibradas, alternância de poder, responsabilidade fiscal e respeito ao cidadão que sustenta o país.
Um Estado existe para servir à sociedade. Quando a sociedade passa a servir ao Estado, algo saiu profundamente do rumo.
A verdadeira soberania não está nos palácios. Está na padaria que abre cedo, no caminhão que roda à noite, na loja que paga impostos, no agricultor que planta, no jovem que estuda, no trabalhador que enfrenta a rotina.
É o povo que produz riqueza. É o povo que sustenta a nação.
Quando os comandantes enriquecem e o povo empobrece, não há justiça social. Há apenas um sistema funcionando para si mesmo.























