A Prefeitura de Marliéria determinou o embargo e a paralisação imediata das obras de reforma da Ponte Queimada após fiscalizações técnicas identificarem uma série de irregularidades graves na execução do serviço. Segundo a administração municipal, as falhas comprometem a segurança estrutural da ponte, a durabilidade da obra e o cumprimento do contrato firmado com a empresa responsável. As obras de manutenção geral da ponte, com valor aproximado de R$ 1,3 milhão, são fruto de emenda parlamentar federal.
De acordo com o setor de Engenharia do município, vistorias realizadas desde dezembro de 2025 apontaram um padrão contínuo de descumprimento das especificações técnicas previstas no projeto, especialmente no que se refere à qualidade e ao tipo da madeira utilizada.
IRREGULARIDADES NA MADEIRA E NA EXECUÇÃO
Os relatórios técnicos indicam que foi constatada a substituição indevida da espécie de madeira prevista em contrato por material de qualidade inferior. Além disso, foram identificados, dormentes com rachaduras severas, trincas longitudinais e fixações comprometidas. Em alguns casos, os parafusos teriam sido aplicados diretamente sobre fissuras, reduzindo significativamente a resistência das peças.
Outro ponto considerado grave pela fiscalização foi a ausência de tratamento técnico adequado da madeira. A empresa não apresentou laudos de eficiência, certificação ou comprovação formal do processo de preservação do material. Durante inspeção recente, técnicos verificaram que o suposto tratamento estava sendo realizado manualmente, com aplicação de substância oleosa semelhante a óleo queimado misturado com betume — procedimento que não atende às normas técnicas e pode gerar riscos estruturais e ambientais.
PROBLEMAS DE SEGURANÇA
As falhas também atingiram os sistemas de fixação e segurança da estrutura. O tabuleiro da ponte apresentou pregos soltos e instáveis, além de rebaixos irregulares que expõem o cerne da madeira, comprometendo o desempenho estrutural. O guarda-corpo, segundo o relatório, foi instalado sem a devida soldagem e ancoragem, impossibilitando o recebimento da etapa como serviço concluído.
As não conformidades foram registradas em vistorias realizadas nos dias 1º, 12 e 18 de dezembro de 2025. Na ocasião, a fiscalização já havia solicitado correções, relatórios técnicos e certificações dos lotes de madeira utilizados. Como as exigências não foram atendidas e as irregularidades persistiram, a prefeitura emitiu nesta quarta-feira (4) a ordem formal de embargo.
EMPRESA NÃO RECEBEU PAGAMENTO
Com a paralisação, a empresa contratada está obrigada a retirar imediatamente materiais e equipe do canteiro de obras, ficando proibida de realizar qualquer intervenção até nova autorização técnica. Também está vedada a aplicação de novos materiais enquanto as pendências não forem sanadas.
A administração municipal informou ainda que nenhum pagamento foi efetuado à empresa até o momento, justamente devido às falhas constatadas nas medições.
Caso a contratada não realize a substituição ou retirada dos materiais instalados de forma irregular, o município poderá adotar medidas judiciais para exigir a desmontagem da estrutura e o ressarcimento de eventuais prejuízos, conforme previsto em contrato e na legislação vigente.
O relatório técnico de engenharia foi encaminhado ao Controle Interno e ao setor Jurídico do município para avaliação das providências administrativas e legais cabíveis.
Segundo a Prefeitura de Marliéria, a medida visa proteger o interesse público, evitar danos ao erário e assegurar que a obra seja executada com qualidade e segurança para a população que utiliza a Ponte Queimada.























