O empresário Bill Gates prestou depoimento ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Estados Unidos e confirmou ter mantido relacionamentos extraconjugais com duas mulheres russas cujos nomes passaram a integrar a investigação relacionada ao financista Jeffrey Epstein. A transcrição do depoimento foi divulgada publicamente ontem, 23 de junho e acrescentou novos elementos ao caso que vem sendo examinado por parlamentares norte-americanos.
Durante o depoimento, Gates identificou as duas mulheres como Mila Antonova, jogadora de bridge, e Karima Nigmatulina, cientista da área nuclear. Segundo ele, Jeffrey Epstein tomou conhecimento dos relacionamentos e teria buscado utilizar essas informações para obter influência sobre o fundador da Microsoft. Gates afirmou aos parlamentares que nunca foi efetivamente chantageado, mas declarou que mensagens atribuídas a Epstein indicam a possibilidade de que essa estratégia tenha sido considerada.
O depoimento ocorreu em 10 de junho, em sessão fechada do Congresso dos Estados Unidos, e faz parte de uma ampla investigação sobre os vínculos mantidos por Epstein com empresários, políticos e outras figuras públicas. A transcrição foi divulgada posteriormente pelo Comitê de Supervisão, permitindo a divulgação pública das declarações prestadas pelo empresário.
Além das duas mulheres russas, Gates também mencionou um terceiro relacionamento extraconjugal, com a empreendedora da área médica Alice Jacobs Nesselrodt. Segundo seu relato, esse relacionamento ocorreu antes de sua aproximação com Epstein.
Ao ser questionado sobre a atuação de Epstein, Gates afirmou que os contatos entre ambos ocorreram entre 2011 e 2014 e estavam ligados a discussões sobre iniciativas filantrópicas. O empresário declarou ainda que considera ter cometido um erro ao manter proximidade com Epstein e afirmou que não tinha conhecimento dos crimes pelos quais o financista já havia sido condenado quando iniciaram os encontros. Posteriormente, Gates rompeu a relação e disse lamentar o episódio.
O caso ganhou novo destaque após a divulgação de documentos e e-mails relacionados a Epstein pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Entre os materiais analisados estão mensagens atribuídas ao financista nas quais ele fazia referência aos relacionamentos de Gates e discutia possíveis formas de exercer influência sobre o empresário. Gates negou qualquer participação em crimes ligados a Epstein e reiterou, no depoimento, que jamais esteve envolvido em atividades ilícitas relacionadas ao financista.
A investigação conduzida pelo Congresso norte-americano continua em andamento e inclui a análise de documentos, depoimentos e registros associados ao círculo de contatos mantido por Jeffrey Epstein ao longo dos anos.























