A operação norte-americana da siderúrgica Gerdau passou a liderar os lucros da companhia ao registrar R$ 2,25 bilhões em Ebitda no primeiro trimestre de 2026, ante R$ 578 milhões obtidos no Brasil, embora o volume de vendas no período tenha sido praticamente equivalente nos dois mercados. O movimento atrai analistas do mercado financeiro, mas as ações da empresa seguem avaliadas em múltiplos inferiores aos praticados por concorrentes sediadas nos Estados Unidos.
Apesar da valorização de 41% nos últimos 12 meses, as ações da Gerdau são negociadas a quatro vezes o valor da empresa sobre o Ebitda, piso da sua média histórica. Em contrapartida, as companhias americanas de siderurgia atuam com indicadores próximos de 7,5 vezes, o que leva investidores a tratarem a gaúcha como uma alternativa para obter exposição aos investimentos e ao ciclo econômico dos Estados Unidos.
A rentabilidade no mercado externo tem sido impulsionada pela combinação de demanda elevada e tarifas protecionistas de 50% sobre a importação de aço aplicadas pelo governo norte-americano. Além das barreiras comerciais, a procura por produtos siderúrgicos no país é impulsionada por projetos de infraestrutura, expansão de redes de energia e a construção de data centers para inteligência artificial, mantendo a carteira de pedidos da empresa acima dos 90 dias.
No Brasil, o cenário apresenta margens menores, de 9,2% no primeiro trimestre, sob o impacto da concorrência de produtos importados da China. Para mitigar o quadro doméstico e ampliar a rentabilidade, a Gerdau direciona investimentos de R$ 3,2 bilhões na ampliação da mina de Miguel Burnier, com início operacional previsto para o quarto trimestre, além de projetar redução no volume global de investimentos para os próximos anos.

























