Um relatório divulgado pela organização não governamental Provea voltou a colocar a situação dos direitos humanos na Venezuela no centro do debate internacional. Segundo a entidade, mais de 10 mil pessoas morreram em ações classificadas como execuções extrajudiciais durante o período em que Nicolás Maduro esteve no poder, entre 2013 e 2025.
O documento afirma que agentes ligados às forças de segurança venezuelanas participaram diretamente das mortes. A ONG aponta que muitos casos ocorreram sem julgamento, sem processo legal e sem qualquer garantia de defesa para as vítimas. O levantamento também destaca denúncias de desaparecimentos forçados, tortura e prisões arbitrárias.
De acordo com a Provea, somente em 2025 foram registradas 336 mortes atribuídas a policiais e militares. A maioria das vítimas tinha entre 18 e 30 anos e morava em bairros populares. O relatório também afirma que opositores do governo, sindicalistas e defensores de direitos humanos estiveram entre os principais alvos das ações repressivas.
A coordenadora de pesquisas da organização, Lissette González, declarou que os casos não tiveram investigação adequada por parte das autoridades venezuelanas. Segundo ela, a ausência de responsabilização fortaleceu um ambiente de impunidade dentro do país.
“As vítimas continuam sem respostas, sem justiça e sem reparação”, destacou a entidade no relatório apresentado em Caracas.
Além das execuções, o documento aponta crescimento significativo nos casos de desaparecimento forçado. O número de denúncias teria aumentado quase 200% em comparação ao ano anterior. Em alguns episódios, familiares relataram semanas sem informações sobre o paradeiro das vítimas.
A situação venezuelana segue sendo acompanhada por organismos internacionais e entidades de direitos humanos. Relatórios recentes da ONU e de grupos independentes também mencionam denúncias de repressão política, detenções arbitrárias e violações contra opositores do regime chavista.
O governo venezuelano costuma rejeitar as acusações e afirma que existe uma campanha internacional para desestabilizar o país. Autoridades ligadas ao chavismo alegam que operações policiais são necessárias para combater grupos criminosos e garantir a segurança nacional.
A crise política e social da Venezuela provocou forte impacto na região nos últimos anos. Milhões de venezuelanos deixaram o país em busca de melhores condições de vida, enquanto a economia local enfrentou inflação elevada, queda de produção e aumento da pobreza.
O novo relatório amplia a pressão internacional sobre as autoridades venezuelanas e reacende discussões sobre direitos humanos, democracia e responsabilização de agentes do Estado.























