A Polícia Civil de Minas Gerais investiga uma organização criminosa suspeita de invadir sistemas do Poder Judiciário para forjar documentos oficiais, como alvarás de soltura e registros financeiros. O esquema veio à tona após a fuga de detentos em 2025 e levou, nesta semana, à prisão de um apontado como líder do grupo, considerado pelas autoridades um dos principais hackers em atuação no estado.
Segundo as apurações, os integrantes da quadrilha acessavam de forma ilegal plataformas do sistema de Justiça para criar documentos com dados falsos atribuídos a magistrados. As fraudes teriam permitido, além da liberação indevida de presos, a regularização irregular de veículos e a manipulação de registros financeiros.
A Polícia Civil informou que o principal suspeito, Ricardo Lopes de Araújo, de 32 anos, conhecido como “Dom”, foi capturado em um apartamento no bairro Maracanã, em Belo Horizonte. Ele estava foragido desde 20 de dezembro, quando deixou um presídio da capital após apresentar um alvará de soltura fraudado.
Antes disso, no dia 10 de dezembro, Ricardo havia sido detido em Sete Lagoas, na região Central de Minas, durante uma operação que desarticulou um grupo especializado em crimes cibernéticos. De acordo com o delegado Marcus Vinícius Vieira, o investigado é apontado como “um dos maiores hackers de Minas e do Brasil”, com capacidade de fraudar sistemas do Judiciário.
As investigações indicam que, mesmo após a prisão, o suspeito teria orientado comparsas a continuar a falsificação de documentos para viabilizar a própria saída do sistema prisional. Na ação que resultou em sua recaptura, um segundo foragido também foi preso. Esse homem é apontado como responsável por lavar o dinheiro obtido por meio das fraudes.
RECAPTURAS E APURAÇÃO INTERNA
Dos quatro detentos que teriam deixado unidades prisionais em dezembro com o uso de alvarás irregulares, três já foram recapturados. Um deles, Wanderson Henrique Lucena Salomão, de 32 anos, apresentou-se nesta semana ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa, em Belo Horizonte.
A Polícia Civil informou que a apuração segue em andamento, com foco na identificação de como os suspeitos obtiveram credenciais reais de servidores do Judiciário mineiro. Em nota, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais afirmou que instaurou procedimentos internos para apurar possíveis falhas e reforçar os sistemas de segurança.























