O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi informado de que o então futuro ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, mantinha contratos de consultoria com instituições privadas antes de assumir o cargo no governo federal, segundo declarou nesta quarta-feira (28) a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.
De acordo com Gleisi, a informação foi apresentada ao presidente no momento do convite para a nomeação, em 2024. Segundo a ministra, Lewandowski teria se comprometido a cumprir a legislação e a se desligar das atividades privadas ao ingressar na administração pública. “O ministro informou que iria cumprir a lei e se desvincular de todos os contratos, o que foi feito”, afirmou a jornalistas.
A declaração ocorre após reportagem do portal Metrópoles revelar que o Banco Master pagou R$ 5 milhões ao escritório de advocacia de Lewandowski enquanto ele ocupava o cargo de ministro. A instituição financeira é comandada por Daniel Vorcaro.
Inicialmente, Gleisi indicou que Lula tinha conhecimento específico da relação entre o escritório e o Banco Master, mas posteriormente ajustou a informação. Segundo ela, o presidente foi comunicado de que Lewandowski mantinha contratos privados, sem detalhamento sobre as empresas envolvidas. “Ele avisou que prestava atividades econômicas e que precisaria se afastar. Não sei se citou exatamente o Master”, declarou.
A ministra também destacou que o governo federal atua na apuração de possíveis irregularidades relacionadas à instituição financeira. Nesse contexto, mencionou a prisão de Daniel Vorcaro durante a gestão de Lewandowski à frente do Ministério da Justiça. “O governo tem sido firme em investigar, seja pela fiscalização do Banco Central, seja pela apuração da Polícia Federal”, disse.
CONTRATO E PAGAMENTOS
Segundo a reportagem do Metrópoles, o contrato de consultoria jurídica entre o Banco Master e o escritório de Lewandowski foi firmado em 28 de agosto de 2023. Os repasses, no valor de R$ 250 mil mensais, teriam continuado até setembro de 2025, período em que Lewandowski já estava há cerca de 21 meses no comando da pasta da Justiça. Ao todo, os pagamentos somaram R$ 5 milhões.
O caso segue sendo acompanhado por órgãos de fiscalização e investigação, conforme informado pelo governo.























