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O preço do atalho: como os anabolizantes podem afetar o coração

Médico cardiologista do Hospital Márcio Cunha aborda os impactos que o uso indiscriminado causa ao coração

Cid Miranda por Cid Miranda
17 de abril de 2026
em Sem Categoria
Tempo de Leitura: 4 minutos de leitura
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O preço do atalho: como os anabolizantes podem afetar o coração

Renato Lott Bezerra, médico cardiologista do HMC (Foto: Divulgação)

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A busca por um corpo mais forte e definido tem levado cada vez mais pessoas, especialmente jovens, a recorrerem aos esteroides anabolizantes. O que muitos enxergam como um caminho rápido para alcançar resultados estéticos desejados pode esconder riscos silenciosos e potencialmente graves para a saúde. Entre os órgãos mais afetados pelo uso de anabolizantes está justamente aquele responsável por manter todo o organismo em funcionamento: o coração.

Os esteroides anabolizantes são substâncias que imitam a ação da testosterona, hormônio produzido naturalmente pelo corpo e que está ligado ao desenvolvimento muscular, à força e à disposição física. O risco surge quando essa substância passa a ser utilizada em doses elevadas, sem uma indicação médica adequada.


Segundo o cardiologista do Hospital Márcio Cunha, Renato Lott Bezerra, o organismo pode até apresentar sinais iniciais de melhora na performance física, mas internamente o impacto pode ser bastante negativo. “Quando uma pessoa utiliza esse hormônio de forma excessiva, ocorre um efeito desejado que é o aumento da força muscular. A pessoa fica mais ativa, com mais energia. É como se o corpo fosse uma máquina que passa a funcionar com mais potência. No entanto, para que essa máquina funcione mais forte, o motor também precisa trabalhar mais. E o nosso motor é o coração”, explica o médico.

Esse aumento da demanda pode provocar uma sobrecarga importante no sistema cardiovascular. Entre os efeitos observados estão o aumento da pressão arterial e alterações estruturais no coração. “Podemos observar um aumento da espessura do músculo cardíaco. O coração fica maior, mais sobrecarregado. Além disso, ocorre aumento do colesterol, e esse conjunto de fatores pode fazer com que as artérias que levam sangue para o coração comecem a se entupir”, alerta o médico.

As consequências podem ser graves. Infarto, insuficiência cardíaca e até morte estão entre os riscos associados ao uso dessas substâncias. Mesmo quando não ocorre um desfecho fatal, os danos podem comprometer profundamente a qualidade de vida. “O paciente pode apresentar fraqueza, falta de ar excessiva e acabar se afastando das suas capacidades habituais”, acrescenta.

Na prática clínica, casos preocupantes têm sido observados entre pessoas jovens e aparentemente saudáveis. “Percebemos muitos jovens utilizando anabolizantes para fins estéticos, muitas vezes em doses maiores e por períodos prolongados. Mesmo em doses teoricamente baixas e por pouco tempo, já observamos problemas importantes”, afirma.

O perigo é ainda maior porque os efeitos negativos costumam surgir de forma silenciosa. Enquanto o usuário percebe aumento de força e disposição, o coração pode estar sendo progressivamente prejudicado. “O paciente se sente mais forte, com mais energia e bem-estar. Mas, por dentro, o coração vai piorando a função. Quando começam a surgir sintomas como falta de ar, dor no peito ou desmaio, muitas vezes o dano cardíaco já é considerado irreversível”, alerta.

De acordo com o médico, existem situações específicas em que a reposição de testosterona pode ser indicada, mas elas são restritas e exigem avaliação criteriosa. Em homens, a principal condição é o hipogonadismo, doença caracterizada por níveis persistentemente baixos de testosterona associados a sintomas como queda de energia, diminuição da libido, redução de pelos e alterações na função sexual. “É importante lembrar que fatores como obesidade e sedentarismo são causas frequentes de testosterona baixa. Muitas vezes, apenas perder peso e praticar exercícios físicos já fazem com que os níveis hormonais se normalizem, sem necessidade de exposição aos efeitos danosos da testosterona”, ressalta o especialista.

Entre as mulheres, a indicação é ainda mais limitada e pode ser considerada em alguns casos específicos relacionados à redução importante da libido após a menopausa, sempre com muita cautela e acompanhamento rigoroso.

Diante da popularização dessas substâncias e da influência das redes sociais, os especialistas reforçam a necessidade de informação de qualidade e maior conscientização da população. “Vivemos em tempos de muita desinformação, especialmente nas redes sociais. O que vemos é um aumento muito grande do uso de testosterona, principalmente entre jovens, muitas vezes baseado em informações não confiáveis”, afirma.

Para quem busca saúde e qualidade de vida, o caminho continua sendo o mais básico e comprovado. “Saúde é o básico bem-feito. Manter exercício físico regular, incluindo atividades aeróbicas e de resistência, dormir bem, ter alimentação equilibrada e fazer consultas periódicas para avaliação da pressão, colesterol e outros fatores de risco”, orienta.

O alerta final do especialista resume bem o perigo por trás dos chamados ‘atalhos’. “Muita gente quer resultado rápido e interpreta o aumento de força, energia e bem-estar como sinal de saúde. Mas isso nem sempre é verdade. O que os olhos veem, o coração sente. Muitas vezes os danos são graves e irreversíveis. Por isso, é preciso muito cuidado com esses caminhos fáceis”, conclui Dr. Renato Lott.

HOSPITAL MÁRCIO CUNHA

Hospital geral de alta complexidade com 60 anos de atuação. Possui 558 leitos e três unidades, sendo uma unidade exclusiva para o tratamento oncológico. Atende a uma população de mais de 1,6 milhão de habitantes de 87 municípios de Minas Gerais e conta com cerca de 500 médicos em 58 especialidades, com prestação de serviços nas áreas de ambulatório, pronto-socorro, medicina diagnóstica, ensino e pesquisa, terapia intensiva adulta, pediátrica e neonatal, urgência e emergência, terapia renal substitutiva, alta complexidade cardiovascular, oncologia adulto e infantil, entre outros. No último ano, foram cerca de 5.580 partos realizados no HMC, cerca de 35 mil internações, mais de 17 mil cirurgias, mais de 67 mil sessões de hemodiálise. Na unidade de oncologia, foram mais de 18 mil sessões de radioterapia e cerca de 33 mil sessões de quimioterapia.

O HMC foi o primeiro hospital do país a ser acreditado em nível de excelência (ONA III), pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). Além disso, está classificado pela revista norte-americana Newsweek, por sete anos consecutivos, entre as melhores unidades hospitalares do Brasil, sendo o 6º em Minas Gerais.

Tag: anabolizantescolesterolFSFXHospital Márcio Cunhasistema cardiovascular
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