Por Mário Plaka (*)
O título é pesado. E tem que ser. Porque tem hora que linguagem bonita não resolve. Tem hora que o povo precisa ouvir no popular aquilo que muitos tentam esconder no discurso arrumadinho. E o que acontece em boa parte da política brasileira é justamente isso: uma vergonha tão grande que só um ditado popular consegue resumir.
Há tempos venho denunciando uma realidade que muita gente sabe, mas poucos falam: partido político, em muitos casos, tem dono. Tem chefe, tem controlador, tem grupo fechado que trata legenda como empresa particular. Uma verdadeira franquia eleitoral, bancada com dinheiro público e usada para interesses privados.
E podem achar ruim, mas a verdade é essa: para entrar em alguns partidos e disputar eleição, muitas vezes o cidadão precisa pagar caro, se submeter, negociar, abaixar a cabeça ou aceitar imposições absurdas. Isso não é democracia. Isso é balcão. Isso é comércio de espaço político.
Na época da eleição, o circo arma a lona. Em vez de procurar gente preparada, honesta e comprometida, certos caciques partidários saem atrás de nomes fáceis de vender: cantor de internet, humorista, ex-jogador, influencer, celebridade passageira, figura de escândalo, gente famosa por qualquer motivo — menos por competência.
A pergunta é simples: essa pessoa sabe legislar?
Sabe fiscalizar prefeitura, governo e ministério?
Sabe montar equipe técnica?
Sabe enfrentar pressão?
Sabe interpretar orçamento público?
Sabe liderar?
Na maioria das vezes, não sabe nem responder uma entrevista simples.
E aqui entra um ponto importante: político não precisa saber tudo. Ninguém sabe tudo. Mas precisa saber liderar. Precisa saber escolher gente competente. Precisa saber formar equipe boa, ouvir técnicos, organizar gabinete, administrar conflitos e tomar decisão correta.
Porque liderança não se compra em curso rápido e nem se fabrica em época de campanha. Tem gente com diploma que afunda empresa. E tem gente sem diploma que construiu império, gerou emprego e fez a economia girar, porque sabia comandar, enxergar oportunidades e cercar-se de pessoas capazes.
O Brasil já viu isso muitas vezes. Pais sem formação acadêmica ergueram empresas gigantes. Depois vieram herdeiros cheios de títulos na parede e quebraram o que receberam pronto. Por quê? Porque diploma ajuda, mas não substitui liderança, visão e coragem.
Na política é igual. Tem muito currículo bonito e pouca capacidade real. E também tem gente simples que, se tiver caráter e liderança, pode governar melhor que muito “doutor” de fachada.
Agora também é preciso falar do eleitor. Quem vota só porque o candidato é famoso, bonito, engraçado, rico, influencer ou distribuiu favor, depois não pode reclamar do desastre. Voto mal dado vira cobrança sem moral.
Quando alguém precisa operar o coração, procura cirurgião bom.
Quando precisa construir casa, procura profissional competente.
Mas para administrar cidade, estado ou país, muita gente entrega voto a qualquer aventureiro empurrado por partido.
Depois pergunta por que tudo está ruim.
Chega dessa patifaria. Chega de legenda usada como negócio. Chega de candidatura folclórica. Chega de transformar o povo em massa de manobra.
O Brasil precisa de representantes com coragem, preparo, liderança e compromisso. Gente que saiba reunir bons quadros, trabalhar sério e respeitar o eleitor.
E aos pré-candidatos do Vale do Aço, da região Leste de Minas e de todo canto: o desafio está lançado. Debate público, proposta no papel, compromisso assinado e coragem para responder perguntas de verdade.
Quem é líder aparece.
Quem é produto de prateleira foge.























