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Procedimento inédito no HMC reacende esperança de cura em paciente

Médicos do HMC realizaram, pela primeira vez, uma quimioembolização hepática por microesferas em paciente com metástase no fígado

Cid Miranda por Cid Miranda
26 de março de 2026
em Sem Categoria
Tempo de Leitura: 5 minutos de leitura
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Procedimento inédito no HMC reacende esperança de cura em paciente

Procedimento inédito no Hospital Márcio Cunha reacende esperança de cura em paciente (Foto: Elvira Nascimento)

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O Centro Cirúrgico do Hospital Márcio Cunha (HMC) ganhou um novo significado na última semana. Não era apenas mais um procedimento inédito. Era mais uma história sendo escrita e, junto com ela, uma nova perspectiva de vida para o paciente João Bosco de Miranda, de 71 anos, aposentado e morador de Coronel Fabriciano. Há dois anos, ele descobriu um câncer de cólon e, desde então, vem realizando sessões de quimioterapia paliativa na Unidade de Oncologia do hospital.

Ao contrário do que muitos poderiam imaginar ao saber sua idade, João Bosco não se encaixa no estereótipo de um idoso pacato. É um homem de espírito jovem, curioso, quase uma enciclopédia viva, e determinado a enfrentar cada desafio com coragem.


Foi justamente esse perfil, aliado ao rigor com que seguia o tratamento, que chamou a atenção da equipe médica. Diante da evolução da doença, com metástase no fígado, ele foi considerado elegível, após avaliação multidisciplinar criteriosa para uma abordagem inovadora.

Assim, de forma inédita, o Hospital Márcio Cunha realizou a quimioembolização hepática por microesferas para tratar a metástase no fígado, originada do câncer de cólon de João Bosco, indicada para controle locorregional de metástases hepáticas não ressecáveis. O resultado veio rápido: procedimento bem-sucedido e alta hospitalar, trazendo alívio e renovando a esperança. Agora, pode permitir melhor controle da doença e, em casos selecionados, abrir possibilidade de abordagens com intenção mais agressiva e transformar propostas de tratamentos paliativas em propostas curativas.

Mais do que um avanço técnico, o feito carrega um significado ainda maior. O método não está amplamente disponível no SUS na forma como foi realizado. Ainda assim, por meio de parcerias com a iniciativa privada e do engajamento institucional, foi possível viabilizar o tratamento. Um marco não apenas para o Hospital, mas para os parceiros e para o paciente.

A técnica combina a aplicação direta de microesferas calibradas que permitem liberação local do quimioterápico no tumor com o bloqueio do fluxo sanguíneo que o alimenta, potencializando o efeito do tratamento e reduzindo impactos no restante do organismo. No caso realizado no HMC, o uso de microesferas elevou ainda mais a precisão da terapia.

O procedimento foi realizado pelos cirurgiões vasculares, Leonardo Augusto Dávila Gonçalves, Vinícius Vaz de Melo e Giselly Gomes Carvalho, contando com a participação dos cirurgiões oncológicos, Djalma Gonçalves e Andres Vargas, o oncologista clínico, Luciano Viana, o anestesiologista, José Eduardo, os médicos residentes da cirurgia vascular, Thiago Bemerguy e Marcela Maia, tendo como apoio o técnico de radiologia Edson Pereira, e a instrumentadora cirúrgica, Ida Maria.

Segundo o cirurgião vascular e coordenador do serviço de Cirurgia Vascular do HMC, Leonardo Augusto Dávila Gonçalves, a inovação representa um divisor de águas, especialmente para regiões fora dos grandes centros. “É uma tecnologia minimamente invasiva, com menor risco, menos tempo de internação e mais qualidade de vida. Em regiões como o Leste de Minas, isso significa acesso real à medicina de ponta sem a necessidade de deslocamentos para capitais”, comenta.

O especialista também destaca que a técnica amplia possibilidades terapêuticas importantes. “Muitos pacientes não têm indicação para cirurgia convencional/aberta, o que é comum no SUS. Nesse cenário, a quimioembolização surge como alternativa eficaz, podendo ser utilizada como tratamento principal, paliativo ou até como ponte para outras abordagens, aumentando a sobrevida e oferecendo mais dignidade durante o cuidado”, complementa.

A complexidade do caso exigiu atuação integrada entre cirurgia vascular, cirurgia oncológica e oncologia clínica, evidenciando o alto nível técnico da Instituição. Para o cirurgião oncológico do HMC, Djalma Gonçalves, o procedimento simboliza mais do que inovação. É a prova de que a união entre equipes pode transformar realidades. “O paciente chegou com diagnóstico de câncer de intestino já com metástase no fígado, em uma localização de difícil abordagem cirúrgica, especialmente considerando a idade e as condições clínicas. Inicialmente, foi indicada quimioterapia paliativa. Houve resposta importante no início, com redução significativa do tumor, mas, como acontece em muitos casos, a doença voltou a progredir com o tempo”, explica.

Nesse contexto, a quimioembolização com microesferas surgiu como uma alternativa moderna e altamente especializada. “Esse tipo de abordagem pode impactar significativamente na evolução da doença, abrindo possibilidade de controle mais efetivo da doença e até mesmo mudando a perspectiva de um tratamento antes considerado apenas paliativo”, destaca.

O paciente conta que, quando surge um tratamento novo, a confiança aumenta e a perspectiva de melhora também, criando um misto de gratidão e esperança renovada. “Todo tratamento que existe, a gente tem fé que vai dar tudo certo. E com esse tratamento as minhas chances aumentaram. Não vou dizer que eu vou me curar, pois quem sabe disso é Deus, mas eu acredito que as probabilidades de isso acontecer são muitas. Sempre que surge uma oportunidade, a saúde melhora, o astral melhora, então vejo procedimentos como esse muito benéficos para a sociedade. Me considero um privilegiado por ter sido o primeiro a receber o procedimento aqui no Hospital Márcio Cunha e acredito que, com o tempo, essa tecnologia estará disponível para muito mais pessoas”, ressalta.

O impacto desse avanço vai além do indivíduo. Procedimentos minimamente invasivos reduzem complicações, aceleram a recuperação e diminuem custos indiretos para o sistema de saúde. Também evitam deslocamentos longos e desgastantes para grandes centros urbanos, promovendo mais equidade no acesso ao tratamento.

Para o diretor técnico do hospital, Alexandre Silva Pinto, o momento consolida o protagonismo do Hospital Márcio Cunha. “Esse é um marco histórico para a Instituição e para a região do Leste de Minas, resultado da união entre conhecimento técnico, inovação e parcerias estratégicas. Oferecer um tratamento desse nível a um paciente do SUS reforça o compromisso do hospital com a excelência e posiciona o HMC entre os principais centros do país, demonstrando toda a nossa tecnologia de ponta e corpo clínico capacitado”, exalta.

HOSPITAL MÁRCIO CUNHA

Hospital geral de alta complexidade com 60 anos de atuação. Possui 558 leitos e três unidades, sendo uma unidade exclusiva para o tratamento oncológico. Atende a uma população de mais de 1,6 milhão de habitantes de 87 municípios de Minas Gerais e conta com cerca de 500 médicos em 58 especialidades, com prestação de serviços nas áreas de ambulatório, pronto-socorro, medicina diagnóstica, ensino e pesquisa, terapia intensiva adulta, pediátrica e neonatal, urgência e emergência, terapia renal substitutiva, alta complexidade cardiovascular, oncologia adulto e infantil, entre outros.

No último ano, foram cerca de 5.580 partos realizados no HMC, cerca de 35 mil internações, mais de 17 mil cirurgias, mais de 67 mil sessões de hemodiálise. Na unidade de oncologia, foram mais de 18 mil sessões de radioterapia e cerca de 33 mil sessões de quimioterapia.

O HMC foi o primeiro hospital do país a ser acreditado em nível de excelência (ONA III), pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). Além disso, está classificado pela revista norte-americana Newsweek, por sete anos consecutivos, entre as melhores unidades hospitalares do Brasil, sendo o 6º em Minas Gerais.

Tag: câncer de cólonHospital Márcio Cunhaprocedimento inéditoquimioembolizaçãoquimioterapia paliativa
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