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A longa e tortuosa estrada da ditadura – 1ª parte

Redação por Redação
17 de dezembro de 2024
em Sem Categoria
Tempo de Leitura: 3 minutos de leitura
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A longa e tortuosa estrada da ditadura – 1ª parte

A longa e tortuosa estrada da ditadura (Imagem: Gerada por IA)

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Por Walter Biancardine (*)

Era uma vez um ensolarado e tropical país o qual, derrubado seu bondoso Imperador, perdeu-se em lutas internas travadas entre grupos rivais, esfomeados ao infinito pelas chaves do cofre estatal.


Ao ensaiar um retorno ao absolutismo – que erradamente consideravam ser a monarquia – o mesmo foi feito via ditadura e, ao menos por alguns anos, as elites locupletaram-se satisfatoriamente, pois “o sorriso do velhinho fazia a gente trabalhar”.

Mas é impossível atender os desejos de tantos e tão esfaimados grupos de poder circundantes e, um belo dia o tal velhinho, farto, matou-se.

Novamente a disputa insaciável: “farinha pouca ou muita, tanto faz – o meu pirão primeiro!” E a ensolarada e tropical nação arrastou-se entre as demandas, até que um providencial “Líder-Sorriso” resolveu “dar um perdido” nas elites, que o aborreciam com insistentes pedidos, e mudou a capital para os mais profundos e isolados rincões da pátria – lá sim, seria possível tramar em paz!

Agora, pensava ele, era só deixar um sucessor que conduzisse o país para a tão sonhada “ditadura do proletariado”, a qual – acreditava piamente – nada mais era que uma monarquia sem precisar possuir sangue azul, coisa elitista. Seria fácil, pois o senhor Sorriso havia presenteado seus súditos com o carro nacional – depois extinto – além de diversos e saborosos quitutes culturais, como a bossa nova, o cinema novo e até a arquitetura nova, espelhada na nova e disforme capital – um bloco amontoado e opressivo de estruturas de concreto e imensos espaços vazios, ótimos para diluir aglomerações e fazer o povo sentir seu verdadeiro e diminuto tamanho, perante o Estado.

Mas seu sucessor cometeu graves e fatais erros de julgamento, piormente atiçado por um cunhado “brizadão” (como dizem nas bocas-de-fumo) que sonhava com um “soviete já”, sem mais perdas de tempo. E deu no que deu: os Legionários Pretorianos – os mesmos que haviam deposto o amado Imperador – não gostaram da concorrência, pois o positivismo da farda, apesar de irmão consangüíneo do comunismo que tentava alçar voo, jamais se dera bem com essa história de “proletários”, e tal e única diferença os separou, ainda no berço.

Para suprema inveja e frustração dos “brizadões vermelhos”, os Legionários instituíram a sua própria e exclusiva ditadura, mas ao menos a farda não os deixou desamparados: jamais as editoras de esquerda ganharam tanto dinheiro quanto neste período e os arautos (mídia) puderam criar raízes profundas e bem nutridas, graças às montanhas de dinheiro do pagador de impostos, que lá foram despejadas. Melhor: todo o sistema de ensino e a cultura do ensolarado e tropical país foram entregues nas mãos deste mesmo pessoal e, assim, estava consolidada a senha para os acontecimentos inevitáveis que se seguiriam, vinte anos depois.

Não há poder que seja entregue por vontade própria, mas este era o combinado entre os “Brizadões” civis e seus inúmeros adeptos fardados: “agora é a vez de vocês”, disseram. E entregaram o trono, se escondendo em um emaranhado de lendas urbanas prenhes de “patriotismo”, “bravura”, “braço forte e mão amiga”.

A primeira e preventiva providência foi eleger um líder supostamente “de direita”, notório incompetente e que, uma vez posto no poder pela mídia, por ela mesma foi retirado após cheques mal explicados e uma Fiat Elba.

Logo após, esta mesma mídia colocou no poder conhecidíssimo intelectual de esquerda, o qual conseguiu um verdadeiro milagre: acabar com horrenda inflação, que corroía os bolsos dos cidadãos há décadas. E assim, pensaram eles, estava demonstrado como a direita é ruim e corrupta, mas a esquerda é boa e acaba com a inflação. O que não contaram é que esta mesma carestia era provocada pelas próprias elites, sempre partidárias do lado “Brizadão” da coisa. Por isso foi fácil para alguém, de sua própria turma, entrar em acordo com eles e liquidá-la, em nome de um “futuro glorioso”.

E tal intelectual seguiu os mesmos passos do “Líder-Sorriso”, um semi-vermelho a dar de bandeja o poder para alguém mais, digamos, “enérgico” em seu idealismo. Era a hora de um simpático beberrão, notório comunista, entrar mais a fundo nos ideais perseguidos há tanto tempo.

Amanhã continuaremos com a triste história deste ensolarado país, que vive em estado vegetativo – deitado e acamado em berço esplêndido – e que jamais foi, mesmo com todas as condições para ser, uma das maiores e mais poderosas nações do planeta.

Eis como formigas ruins podem acabar com todo o formigueiro, restando apenas as lembranças do que jamais aconteceu.

Amanhã continuamos.

(*) Walter Biancardine é jornalista, analista político e escritor. Foi aluno do Seminário de Filosofia de Olavo de Carvalho, autor de três livros e trabalhou em jornais, revistas, rádios e canais de televisão na Região dos Lagos, Rio de Janeiro
Tag: ditaduraimperadorlutasmonarquiapoderWalter Biancardine
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