Por Mário Plaka (*)
Há um ditado popular que atravessa gerações: a mentira tem perna curta. Ela pode sobreviver por uma semana, por um mês ou até por um ano. Pode enganar muita gente durante algum tempo. Mas a verdade tem uma característica que nenhuma mentira consegue vencer: ela sempre encontra um caminho para aparecer.
E quando a verdade bate à porta, o mentiroso perde aquilo que talvez seja o patrimônio mais valioso de um ser humano: a confiança. Confiança não se compra. Não se decreta. Não se recupera facilmente. Quando ela se rompe, o respeito desaparece, a credibilidade se desfaz e as palavras passam a carregar o peso da desconfiança.
Essa reflexão vale para qualquer pessoa. Vale para famílias, empresas, igrejas e, principalmente, para quem exerce cargos públicos.
Aqui na minha cidade, Coronel Fabriciano, no Vale do Aço mineiro, uma pergunta continua merecendo uma resposta clara. Se realmente a administração anterior encerrou o mandato com mais de R$ 200 milhões em caixa, como foi amplamente divulgado, o que aconteceu com esses recursos? Como eles foram aplicados? Quais investimentos foram realizados? O que ainda permanece disponível?
Essas perguntas não pertencem à oposição nem à situação. Elas pertencem ao cidadão. O dinheiro não é do prefeito que saiu, nem do prefeito que entrou. O dinheiro é da população.
Outra pergunta também precisa ser feita.
Se boa parte da equipe técnica da atual administração já integrava a gestão anterior, por que tantas dificuldades são apresentadas agora? O problema é financeiro? É administrativo? É planejamento? É gestão?
Não se trata de acusar ninguém de incompetência. Trata-se de perguntar, com responsabilidade, se os resultados entregues correspondem às expectativas criadas. Quem administra recursos públicos deve estar preparado para responder às críticas com dados, documentos e transparência — nunca com silêncio.
Outro tema que preocupa a população é o futuro do Hospital José Maria de Moraes.
Reportagens recentes trouxeram informações sobre a possibilidade de mudanças em seu modelo de administração. Se essas discussões existem, precisam ser conduzidas com total transparência. Hospital público não é assunto para decisões tomadas longe dos olhos da sociedade.
A Câmara Municipal tem o dever de fiscalizar. O Conselho Municipal de Saúde deve acompanhar cada etapa. E a população precisa participar, perguntar e exigir informações.
A democracia não termina no dia da eleição. Ela continua todos os dias, por meio da fiscalização e da participação popular. Quem administra dinheiro público administra recursos que pertencem ao povo. Quem ocupa um cargo público deve satisfação permanente à sociedade.
A verdade nunca deve ser temida. A transparência nunca deve ser evitada. E a confiança só permanece onde existe honestidade, competência e respeito pelo cidadão.
A mentira pode até correr. Mas a verdade sempre chega. E quando ela chega, não pergunta de que lado cada um estava.
Ela apenas revela os fatos.























