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Paralaxe judiciária, ideológica ou civilizacional?

Redação por Redação
23 de dezembro de 2024
em Sem Categoria
Tempo de Leitura: 3 minutos de leitura
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Paralaxe judiciária, ideológica ou civilizacional?

Paralaxe judiciária, ideológica ou civilizacional? (Imagem: Gerada por IA)

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Por Walter Biancardine (*)

A definição de paralaxe cognitiva, segundo o professor Olavo de Carvalho, é o deslocamento ou afastamento entre o eixo da construção teórica e o eixo da experiência real do indivíduo que está fazendo esta construção.


Ora, abordando aquilo que é exposto nos diversos e vastíssimos códigos que balizam a construção normativa legal brasileira, poderemos extrair inúmeros exemplos de verdadeira paralaxe judiciária.

Cito, por fácil e repetitivo que observamos, as diversas leis que nos garantem a liberdade de expressão ou a proibição de censuras por um lado e as inúmeras decisões – por vezes colegiadas – do Supremo Tribunal Federal (STF), guardião último de nossa Constituição, impondo justamente o cerceamento ao sagrado direito de falar, não apenas por parte da imprensa como de indivíduos em redes sociais. Pior: os citados Ministros não apenas censuram como removem o conteúdo, processam, multam e mesmo prendem aqueles que manifestam pontos de vista divergentes da “opinião padrão” consentida por tal Corte.

Já a paralaxe ideológica encontra sua corporificação em todo o espectro esquerdista: surgido teoricamente para defender as escolhas democráticas apontadas pela voz do povo, prega a liberdade, luta pelos oprimidos, desassistidos e tem como ideal máximo uma sociedade sem classes e plena em distribuição de renda. E o que vemos?

A mesma esquerda que prega liberdade taxa de “nazista, fascista”, quaisquer pensamentos políticos opostos aos seus e exclui – discriminando socialmente, de modo por vezes violento – os discordantes. Sobrecarrega os oprimidos e desassistidos com inominável carga tributária e os mais diversos obstáculos para que consigam um emprego; e quanto a “sociedade sem classes e plena em distribuição de renda”, desnecessário relembrar o enriquecimento faraônico de seus líderes, a criação de verdadeiras “castas” no estamento burocrático (lembremos o esquerdista Raimundo Faoro, criador do termo) e a nenhuma distribuição de renda – pelo contrário, a concentração da mesma evidenciou-se na promoção, durante os governos do PT, dos “Campeões Nacionais” tais como JBS, Ambev, Odebrecht e outras, sempre denunciadas por corrupção durante a falecida Operação Lava-Jato e verdadeiro estandarte da economia fascista – sim, o termo é esse – em que submergimos.

Para finalizar constatamos, perplexos, a verdadeira paralaxe civilizacional em que vivemos.

A infeliz sociedade atual não mais é formada intelectualmente pelo pensamento de sábios, filósofos, literários ou acadêmicos dedicados, pois a grande mídia e a cultura de massas tomaram esse lugar. De que valem as elocubrações de um Olavo de Carvalho, de um Louis Lavelle ou mesmo São Tomás de Aquino, se a verdade final é atribuída aos rompantes de uma Mirian Leitão, Glenn Greenwald, Gérson Camarotti e tantos “exemplos de sabedoria”?

As consequências se fazem sentir quando nos damos conta que a mesma sociedade, que condena a discriminação do indivíduo por seus hábitos sexuais, execra outros por suas escolhas políticas; os mesmos “esclarecidos” que abraçam árvores na Lagoa Rodrigo de Freitas, soltam pombas brancas e dizem “viva a vida, abaixo a violência”, são os primeiros a crer que matar uma criança ainda no útero materno é um direito, baseado em estúpido refrão “meu corpo (?), minhas regras”, e em seguida consomem, alegremente, toneladas da maconha vendida pelos mesmos criminosos que não hesitarão em matá-los, durante um assalto – o dinheiro gasto na maconha pagou a bala que os matou.

Hipnotizados, castrados, teleguiados pela grande mídia e cultura de massas, os integrantes de nossa sociedade atual cumprem as pautas determinadas por essa mesma esquerda globalista e promovem verdadeira caça às bruxas contra os raros indivíduos pensantes, que observam – pasmos – a esquerda impor a mesma hipocrisia que tanto condenou nos anos 60.

Sim, porque hipocrisia é o termo de mais fácil assimilação para expor a monstruosidade praticada contra nós, de forma mais concisa e sem a necessidade de recorrer a dicionários para entender alertas como este – e que me perdoe o mestre Olavo, por tal escorregada.

(*) Walter Biancardine é jornalista, analista político e escritor. Foi aluno do Seminário de Filosofia de Olavo de Carvalho, autor de três livros e trabalhou em jornais, revistas, rádios e canais de televisão na Região dos Lagos, Rio de Janeiro
Tag: construção teóricaliberdade de expressãoparalaxe cognitivaredes sociaisWalter Biancardine
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