Por Mário Plaka (*)
O Brasil encerra 2025 marcado por um sentimento que já não cabe mais no silêncio: indignação. Não se trata de discurso ideológico, mas de fatos acumulados, repetidos e escancarados diante de uma população que trabalha, paga impostos e recebe, em troca, descaso, insegurança e injustiça.
A saúde entrou em colapso moral antes mesmo do colapso estrutural. O acesso é lento, caro e desumano. A saúde mental foi empurrada para a invisibilidade, enquanto o sofrimento cresce nas famílias, nas ruas e nos locais de trabalho. A população em situação de rua aumenta, não por escolha coletiva, mas por falência de políticas públicas, omissão do Estado e abandono deliberado.
As cidades perderam o controle do espaço público. O cidadão não consegue estacionar um carro sem ser constrangido ou ameaçado por franelinhas. Isso não é inclusão social; é desordem institucionalizada. É o Estado abrindo mão da sua função básica de garantir ordem, segurança e dignidade.
A insegurança econômica e jurídica tornou-se regra. Quem produz vive acuado. Quem empreende é penalizado. Quem trabalha honestamente sente que a lei não o protege — apenas o vigia e o pune. Enquanto isso, o saneamento básico segue precário, as concessionárias faturam alto, a fiscalização é fraca e a conta chega para quem sempre pagou.
Mas o ponto mais grave de 2025 foi a normalização da corrupção declarada.
O país assistiu, sem reação proporcional, ao avanço de escândalos envolvendo roubo do dinheiro público, desvio de recursos do Estado e, de forma ainda mais cruel, fraudes que atingiram aposentados e pensionistas, pessoas que sobrevivem com pouco mais de um salário mínimo. Crimes cometidos contra quem não tem defesa, contra quem trabalhou a vida inteira.
E o que fez o sistema? Blindou.
Deputados, senadores, ministros e o próprio presidente atuaram para impedir investigações profundas, como a CPMI do INSS, porque ali estavam nomes grandes, interesses grandes e esquemas que não poderiam vir à luz. Essa blindagem institucional não é erro: é escolha.
O Brasil voltou a figurar entre os países mais corruptos do mundo. Não por acaso. Governos municipais, estaduais e federais aparecem envolvidos direta ou indiretamente em esquemas de desvio, aparelhamento e favorecimento. Enquanto isso, cidadãos comuns, trabalhadores, pessoas que nunca pegaram em armas, nunca cometeram crimes contra o Estado, enfrentam prisões, condenações severas e tratamento exemplar — seletivo.
A mensagem que 2025 deixou, foi clara: no Brasil, a lei pesa mais sobre os honestos do que sobre os poderosos.
E é aqui que entra a responsabilidade do povo.
2026 será um ano eleitoral. Não haverá mais desculpa. Não haverá mais espaço para ingenuidade, idolatria política ou voto por conveniência imediata. Cada voto dado a quem roubou, blindou ou se calou diante do roubo é corresponsabilidade.
Cidadania não é torcida. Democracia não é silêncio. Votar mal também é uma forma de causar dano ao país.
O Brasil não pode permitir que os mesmos personagens, os mesmos grupos e as mesmas práticas continuem dando as cartas nas próximas eleições para deputado, senador, governador e presidente da República. A herança de 2025 não pode atravessar 2026.
Ou o povo acorda, ou continuará pagando a conta — mais alta, mais injusta e mais cruel.























