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A colcha de retalhos da República

Agora diz que soberano é o PGR

Redação por Redação
3 de dezembro de 2025
em Mário Plaka
Tempo de Leitura: 3 minutos de leitura
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A colcha de retalhos da República

A colcha de retalhos da república (Imagem: Autor)

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Por Mário Plaka (*)

Aquela velha música falava de uma colcha de retalhos costurada na pobreza, que serviu de abrigo quando não havia nada além do frio, da simplicidade e da dignidade de quem lutava com o pouco que tinha. Hoje, o Brasil vive a mesma metáfora — mas ao contrário. A colcha de retalhos virou a Constituição Federal; e, onde deveria haver abrigo e proteção, colocaram furos, remendos, puxadinhos jurídicos e interesses escusos.


Fizeram uma Constituição como quem costura no escuro: pedaço em pedaço, emenda sobre emenda, concessão sobre concessão. E, no meio disso, empurraram para dentro do Congresso homens e mulheres sem preparo, sem leitura de Estado, sem senso de soberania, escolhidos por ilusões criadas por marqueteiros e manipuladores. Gente conduzida por gente pior ainda.

E agora, essa colcha de retalhos virou o pano de fundo perfeito para que ministros, ao bel-prazer, passem a tesoura, recortem o que querem e costurem de novo o trecho que lhes interessa.

De sentença em sentença, o país é enredado por fios que ninguém votou, por costuras que ninguém autorizou.

E a soberania? Virou frangalho.

Estamos à beira de uma convulsão social, e ninguém no topo parece perceber — porque quem vive em palácio não sente a ventania que derruba barracos. Os de cima têm suas colchas de cetim: salários vitalícios, planos de saúde VIP, carros oficiais, diárias, viagens internacionais e palcos para discursos moralistas.

Enquanto isso, o povo aqui embaixo treme de frio.

A metáfora da música é perfeita:

O povo é o corpo enfermo.

O povo sente a febre da fome.

O povo sente o calafrio do desemprego.

O povo sente a dor de ver impostos subirem enquanto a dignidade cai.

E aqueles que deveriam proteger a Nação — estes sim, dormem aquecidos em cetim.

Olhe o que está acontecendo agora: Gilmar Mendes, segundo a representação de partidos como Solidariedade e outros, caminha para dizer que apenas a PGR pode apresentar parecer em processos envolvendo ministro do Supremo. Ora… onde está na Constituição Federal que o Senado deve ser enfeite, bibelô, vaso de porcelana no canto do gabinete?

Onde está escrito que o Senado — que sabatina, aprova e dá a caneta ao ministro — não pode analisar suas condutas?

Quando o país chega à beira do abismo, começa a espernear juridicamente. É sempre assim: primeiro rasgam a colcha de retalhos; depois reclamam do frio.

A verdade é dura: O PGR no Brasil não tem independência, não tem autonomia, não tem pulso, não tem coragem.

Há anos, sua atuação se molda aos interesses de quem realmente manda — e o povo fica de lado, assistindo suas leis serem esticadas, dobradas, tortas, reinterpretadas, reescritas e, por fim, abandonadas.

A Constituição virou uma colcha de cetim para os poderosos — lisa, confortável, macia. Mas para o povo, restou apenas o frio.

O frio de hospitais sucateados, o frio da escola caída aos pedaços, o frio do desemprego e das dívidas. O frio de ver ministros, governantes e a elite política viajando, sorrindo, gastando, enquanto famílias fazem vaquinha para comprar remédio.

Hoje eu perdi um amigo que morreu esperando uma cirurgia que só saiu por ordem judicial — e tarde demais. Isso é a prova viva do que estamos nos tornando: um Estado que não protege ninguém, mas se protege de todos.

E quando o povo finalmente sentir esse frio — o frio que corrói os ossos da alma — vai lembrar da colcha que tinha, da Constituição que deveria aquecê-lo, e de quem destruiu cada ponto, cada linha, cada remendo.

Porque os mandatários, quando a convulsão vier, vão entrar no avião.

Vão fugir, vão posar de inocentes em outro país, e o povo ficará sozinho — como sempre.

Chegou a hora do Senado, da Câmara, dos juristas e do povo brasileiro gritarem um basta que ecoe como tempestade: não aceitamos imposições, não aceitamos distorções e não aceitamos mais remendos.

Porque esta Nação não foi costurada para servir aos donos do cetim.

Foi costurada com o suor, o sangue e as dores do povo.

E quem ignora isso, corre o risco de enfrentar o inverno que ele mesmo criou.

(*) Mário Plaka é empresário em Coronel Fabriciano e membro fundador da Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Afiliados (Ajoia-Brasil)
Tag: colcha de retalhosConstituição Federalrepúblicasoberania
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