Por Mário Plaka (*)
A pior coisa que pode acontecer com um ser humano é ele errar e não ser punido pelo seu erro. Quando alguém erra e nada lhe acontece, esse indivíduo passa a acreditar que está acima da lei, acima da moral e, com o tempo, até acima de Deus. É a ausência de consequência que dá origem à arrogância, à prepotência e, no limite, à tirania. E é exatamente isso que estamos vendo acontecer diante dos nossos olhos, no Brasil e no mundo.
Recentemente, uma denúncia feita pela jornalista Bárbara Kogos trouxe à tona um fato alarmante: segundo reportagem do portal A Investigação, o governo brasileiro, por meio da ONU, teria autorizado a contratação da agência Edelman — a mesma que presta serviços para gigantes do petróleo como Shell e Chevron — para promover a imagem da primeira-dama na COP30. Uma operação milionária, com recursos internacionais, destinada a enaltecer uma figura que não ocupa cargo público, não representa o Estado e não possui função técnica no evento.
Isso é imoral e, pior, é ilegal. A Constituição Federal, em seu artigo 37, estabelece os princípios da impessoalidade, moralidade e eficiência, o que significa que dinheiro público — seja nacional ou internacional — não pode ser usado para promoção pessoal. A função de uma primeira-dama é simbólica e social, jamais executiva ou diplomática. Criar um “gabinete paralelo”, sustentado com verba estrangeira, é confundir o público com o privado, o dever de servir com o desejo de aparecer.
Mais grave ainda é perceber o tamanho do aparelho de influência que se forma ao redor desse governo. Quando a ONU e agências internacionais entram em operações de comunicação para moldar a imagem de figuras políticas no exterior, o que se tem não é diplomacia — é interferência ideológica. É o mesmo modelo já usado em outros países para manipular narrativas, fabricar consenso e legitimar governos alinhados à cartilha socialista.
E, enquanto isso, o povo brasileiro continua pagando a conta. Sofre com o desemprego, com a alta dos juros, com impostos e taxas que se multiplicam. O cidadão comum luta para pagar água, luz, IPTU, aluguel, enquanto os poderosos viajam, discursam e gastam o dinheiro público com pompa e glamour. A realidade é dura: quem trabalha é punido; quem rouba é premiado. E o Congresso, que deveria ser o freio dessa máquina de abusos, cala-se e negocia seus interesses no balcão da conveniência política.
O Brasil chegou a um ponto em que os erros se tornaram rotina e a impunidade, regra. Políticos que juraram defender a moralidade e o bem público hoje se vendem por cargos, emendas e favores. E o eleitor, cansado, desinformado ou manipulado, começa a acreditar que “é assim mesmo”. Mas não é. Quando o povo se cala, o tirano cresce. Quando o povo aceita, o corrupto se eterniza.
Por isso, é hora de despertar. O Brasil não pode continuar nesse caminho. Se o povo não se levantar, se não cobrar, se não reagir, em pouco tempo seremos piores que Cuba, Venezuela ou China — países onde o poder virou religião e a liberdade, pecado. É preciso coragem para dizer “basta”, para denunciar o erro e exigir punição, seja de quem for.
Porque o verdadeiro amor ao país não está em bajular poderosos, mas em defender a verdade e a justiça. Quem tem Deus no coração sabe que a impunidade é o primeiro passo para o caos. E o Brasil não merece viver de joelhos diante de quem confunde liderança com soberba.
Voto não tem preço. Voto tem consequência. Mais uma vez, digo.























