O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não descarta a possibilidade de um confronto armado com a Venezuela. A declaração foi dada em entrevista à rede NBC News e ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas e militares entre os dois países, intensificadas por sanções, bloqueios navais e recentes movimentações das Forças Armadas americanas na região do Caribe.
Durante a entrevista, concedida por telefone, Trump disse que o governo dos EUA pretende realizar novas apreensões de petroleiros ligados à Venezuela. Segundo ele, não existe um cronograma ou planejamento previamente definido para essas ações. “Depende. Se eles forem tolos o suficiente para continuar navegando, vão acabar voltando para um dos nossos portos”, afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de a destituição do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, ser o objetivo final da política americana, Trump evitou uma resposta direta. “Ele sabe exatamente o que eu quero. Ele sabe melhor do que ninguém”, disse o presidente dos EUA.
MOVIMENTAÇÃO MILITAR PRÓXIMA À CAPITAL VENEZUELANA
As declarações de Trump coincidem com registros recentes de atividade militar americana nas proximidades da Venezuela. Dados do site de monitoramento aéreo FlightRadar indicam que pelo menos cinco caças F/A-18 da Marinha dos Estados Unidos sobrevoaram uma área próxima a Caracas no fim da tarde de quinta-feira (18). Outras duas aeronaves militares americanas também foram identificadas operando no Caribe.
Os sobrevoos ocorreram dois dias após o anúncio de um bloqueio a navios petroleiros sancionados que entram ou saem do território venezuelano, medida que contribuiu para o agravamento das tensões entre Washington e Caracas.
ACUSAÇÕES E REAÇÃO VENEZUELANA
Trump também voltou a acusar a Venezuela de se apropriar de petróleo e de terras que, segundo ele, pertenceriam aos Estados Unidos. Em uma publicação nas redes sociais, o presidente afirmou que a pressão americana continuará até que o governo venezuelano “devolva” o que teria sido tomado, sem detalhar quais ativos estariam envolvidos.
O governo da Venezuela reagiu às declarações e às medidas anunciadas pelos EUA, classificando a postura americana como uma “ameaça grotesca”. Em nota oficial, Caracas afirmou que o bloqueio é “absolutamente irracional” e viola princípios do livre comércio e da navegabilidade internacional.
Desde agosto, os Estados Unidos reforçaram sua presença militar no Mar do Caribe, com o envio de navios de guerra e de um submarino nuclear. De acordo com Washington, a mobilização tem como objetivo o combate ao narcotráfico na região.
O reforço militar ocorreu pouco depois de o governo americano dobrar para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à prisão ou condenação de Nicolás Maduro, acusado pelos EUA de liderar o chamado Cartel de los Soles. Desde o início dessas operações, as autoridades americanas afirmam ter realizado ataques aéreos contra 28 embarcações suspeitas de transportar drogas, ações que teriam resultado em mais de 100 mortes.























