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Governo desmente transferência de gestão de terras indígenas à iniciativa privada

Secretaria de Comunicação Social reforça que terras indígenas permanecem sob gestão exclusiva do Estado, conforme determina a Constituição

Cid Miranda por Cid Miranda
3 de fevereiro de 2025
em Sem Categoria
Tempo de Leitura: 3 minutos de leitura
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Governo desmente transferência de gestão de terras indígenas à iniciativa privada

Visão aérea da mata na Terra Índigena Rio Gregório (AC), lar do Povo Yawanawa (Foto: Ascom/MPI)

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O Governo Federal, por meio da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, enviou nota ao CARTA DE NOTÍCIAS nesta segunda-feira (3), negando que tenha transferido a gestão de terras indígenas para a iniciativa privada. Em nota oficial, o governo esclareceu que a informação veiculada por alguns meios de comunicação é inverídica e reafirmou o compromisso com os direitos garantidos pela Constituição Federal, que assegura que as terras tradicionalmente ocupadas por povos indígenas são inalienáveis, indisponíveis e de posse exclusiva desses povos.

De acordo com a nota divulgada, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) não estabeleceu qualquer contrato ou acordo que envolva a gestão dessas áreas por entidades privadas. “As terras indígenas são patrimônios da União e, como tal, devem ser protegidas e geridas em estrita consonância com os princípios constitucionais e legais”, destacou o comunicado.


MATÉRIA PUBLICADA NO PORTAL GOV.BR

Não é verdade que o Governo Federal, por meio do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), tenha transferido a gestão de terras indígenas para a iniciativa privada. A Constituição Federal determina que as terras tradicionalmente ocupadas pelos povos indígenas são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas são imprescritíveis.

O acordo firmado pelo MPI com a empresa Ambipar durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, trata de um compromisso preliminar estabelecido por meio de um Protocolo de Intenções. Esse instrumento, amplamente utilizado na gestão pública, não implica transferência de verbas públicas ou de responsabilidades do Estado. Diferentemente do que peças de desinformação propagam, o acordo não configura concessão de terras indígenas, não dependendo de licitação ou concorrência para tal.

A assinatura do protocolo está em consonância com a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), instituída pelo Decreto nº 7.747/2012, construída com ampla participação dos povos indígenas. A PNGATI busca reconhecer e apoiar as práticas de gestão ambiental e territorial já conduzidas pelos povos indígenas. Suas diretrizes incluem:

– Garantia do direito à consulta prévia: conforme previsto na Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), promulgada pelo Decreto nº 5.051, de 19 de abril de 2004;

– Reconhecimento dos direitos relativos a serviços ambientais: em função das ações de proteção, conservação, recuperação e uso sustentável realizadas pelos povos indígenas em seus territórios, conforme a legislação vigente.

A parceria firmada com a empresa Ambipar insere-se no contexto de ampliação do diálogo entre o Governo Federal e diferentes setores da sociedade civil, sempre com o objetivo de fortalecer a proteção dos direitos dos povos indígenas. Essa iniciativa também está alinhada aos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, como a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, e à proposta de inclusão do ODS 18 (igualdade étnico-racial) no conjunto dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

O Protocolo de Intenções tem como foco compromissos e iniciativas para qualificar e fortalecer os territórios indígenas, incluindo:

– Projetos de conservação e recuperação ambiental;

– Promoção da economia circular;

– Gestão, destinação e disposição de resíduos sólidos;

– Suporte técnico para prevenção e respostas a eventos extremos, como incêndios e enchentes;

– Reflorestamento de áreas desmatadas e desenvolvimento de projetos de bioeconomia e serviços ecossistêmicos.

O presente protocolo assim como outras iniciativas que poderão, conforme cada comunidade decidir, qualificar e fortalecer, reflete o compromisso do Governo Federal, especialmente do Ministério dos Povos Indígenas, em ampliar parcerias para a promoção dos direitos dos povos indígenas no Brasil. Ele representa um avanço no fortalecimento da gestão territorial indígena, sempre com o devido respeito aos direitos constitucionais e internacionais desses povos.

Tag: Constituição FederalGoverno FederalPovos Indígenasterras indígenas
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