O ex-presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, realizou uma reunião direta com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, em abril de 2024. O encontro ocorreu nas dependências da Corte, em Brasília, e teve como objetivo debater uma disputa judicial sobre precatórios de usinas sucroalcooleiras. O impacto total das ações nos cofres da União pode alcançar a marca de R$ 145 bilhões.
Na época da reunião, a instituição financeira comandada por Vorcaro administrava bilhões de reais em créditos pertencentes a empresas do setor. Uma eventual decisão do STF contra a validade das indenizações resultaria em forte desvalorização desses ativos. A aproximação entre o ex-banqueiro e o ministro foi intermediada pelo empresário Chiquinho Feitosa, ex-cunhado de Mendes. Feitosa possuía um contrato mensal de R$ 500 mil com Vorcaro e o aconselhou a criar um canal direto com o magistrado.
Um dos processos prioritários para os interesses do Banco Master envolvia a Destilaria Alcídia S/A. Gilmar Mendes solicitou a retirada do caso do plenário virtual para garantir o debate presencial entre os ministros. Durante o julgamento, realizado em outubro de 2024, Mendes e o ministro André Mendonça votaram contra o pedido da empresa.
Apesar dos votos contrários, a destilaria saiu vitoriosa. Os ministros Edson Fachin, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques manifestaram posições favoráveis à empresa. O processo transitou em julgado em outubro de 2025, encerrando as possibilidades de recurso.
A origem da disputa remonta às décadas de 1980 e 1990. As usinas sucroalcooleiras processaram a União sob a alegação de que sofreram grandes prejuízos em decorrência do controle estatal aplicado aos preços do setor. Em 2020, o STF estabeleceu que cada companhia precisa apresentar perícias técnicas e análises contábeis para comprovar os danos sofridos individualmente antes de receber os valores.

























