O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, fez declarações públicas em defesa do procurador-geral da República, Paulo Gonet, na última quinta-feira (17), sem mencionar que ambos mantiveram uma parceria comercial por quase duas décadas. Os magistrados foram sócios-fundadores do atual Instituto de Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), sociedade que durou de 1998 até 2017, quando Gonet repassou sua participação na empresa ao filho de Mendes.
A manifestação de apoio ocorreu por meio da rede social X. Na publicação, o decano do STF elogiou a trajetória de Gonet e criticou a divulgação de mensagens apreendidas no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo o ministro, a exposição desse material feriu injustamente a honra do chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR), a quem atribuiu uma conduta pública inquestionável. Em nenhuma parte do texto, no entanto, houve referência ao histórico empresarial compartilhado entre os dois.
O posicionamento nas redes sociais sucedeu um atrito no plenário da Corte. Dois dias antes, durante uma sessão extraordinária, Gilmar Mendes ofendeu o ministro André Mendonça após este direcionar questionamentos ao procurador-geral. Na ocasião, Mendes chamou o colega de “boneco de campanha” e o acusou de agir por motivações de vingança.
A ligação empresarial entre Mendes e Gonet começou em 1998. Ao lado de Inocêncio Mártires Coelho, eles fundaram o então Instituto Brasiliense de Direito Público, focado inicialmente no ensino jurídico. Antes de deixar a instituição, o atual procurador-geral detinha mais de 43% do capital social da organização. Em 2017, ele transferiu suas cotas para Francisco Mendes, filho do ministro do STF.
Atualmente denominado IDP, o instituto atua como uma entidade privada de ensino superior com sedes em Brasília e São Paulo. A organização oferece cursos de graduação e pós-graduação nas áreas de Direito, Economia e Administração Pública, além de promover debates e pesquisas voltadas à gestão governamental

























