O Brasil contabilizou 1.571 vítimas de feminicídio em 2025, o maior patamar já registrado pela série histórica do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quarta-feira. O dado representa uma alta de 4% em relação ao ano anterior, resultando em uma taxa de 1,4 caso para cada 100 mil habitantes do sexo feminino e consolidando o quarto recorde anual seguido desse tipo de crime no país.
O avanço dos assassinatos motivados por gênero ocorre em sentido oposto ao comportamento geral da violência letal no território nacional. Em 2025, o número de Mortes Violentas Intencionais teve uma redução de 8,2%, totalizando 40.775 ocorrências e alcançando a menor taxa da série, com 19,1 mortes a cada 100 mil pessoas. Com o resultado, o país antecipou metas de redução de homicídios estipuladas para 2027. Contudo, os feminicídios e as mortes decorrentes de intervenções policiais figuraram como as únicas modalidades violentas que apresentaram crescimento.
Do total de mulheres assassinadas no Brasil ao longo de 2025, 44,4% morreram em decorrência do gênero, o maior percentual aferido desde a tipificação do feminicídio no Código Penal, em 2015. Especialistas destacam que a violência doméstica responde a fatores estruturais, como desigualdades de gênero, padrões culturais e falhas nas redes regionais de proteção, o que dificulta interromper ciclos prévios de agressão.
Além das mortes consumadas, o levantamento apontou aumento de 5,9% nas tentativas de feminicídio, com 4.189 sobreviventes em 2025. Estatisticamente, para cada assassinato consumado, foram registradas 2,7 tentativas. O período também teve elevação em crimes correlatos frequentemente associados ao escalonamento da violência, com alta de 30,1% nas queixas de perseguição (stalking), 16,7% nos registros de violência psicológica e crescimento de 16,7% nas infrações por descumprimento de medidas protetivas de urgência, somando 132.025 casos.
No recorte territorial, as maiores taxas de feminicídio concentraram-se no Amapá, em Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul, evidenciando forte incidência nas regiões Norte e Centro-Oeste. Em relação ao perfil das vítimas, 65,1% eram mulheres negras, 56,5% tinham entre 25 e 44 anos e 62,5% foram mortas dentro da própria residência. Quanto aos agressores, 96,4% eram homens, sendo 60,9% companheiros, 18,9% ex-companheiros e 12,1% familiares das vítimas.

























