Por Mário Plaka (*)
Fala-se em violência contra a mulher. Violência contra o idoso. Violência contra crianças. Violência contra pessoas vulneráveis. Violência doméstica, sexual, urbana e familiar. Mas, no fim, violência é violência. E toda violência deveria nos indignar.
O Brasil vive uma realidade que precisa nos fazer parar e refletir. De um lado, alguns indicadores de homicídios apresentam queda; de outro, crimes como feminicídio, estupro e violência contra pessoas vulneráveis continuam revelando um país profundamente ferido. Em 2024, foram registrados 87.545 casos de estupro e de estupro de vulnerável, o maior número da série histórica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Os feminicídios também permanecem em patamar alarmante.
Mas talvez a pergunta mais importante não seja apenas: quem é o culpado? A pergunta é: o que cada um de nós está fazendo para mudar essa realidade? A começar por mim. A começar por você.
Porque uma sociedade não perde seus valores de uma hora para outra. Primeiro, perde o respeito. Depois, perde a vergonha. Em seguida, começa a considerar normal aquilo que antes era inadmissível.
Quando o indivíduo perde o respeito por si mesmo, torna-se cada vez mais difícil respeitar o próximo. Quando a família perde sua força, quando a autoridade dos pais é desprezada, quando a vida humana passa a valer pouco e quando a violência começa a ser banalizada, toda a sociedade adoece.
Não podemos aceitar que a violência seja apenas assunto de polícia, de governo ou da Justiça. Ela também é um problema nosso.
Está na maneira como educamos nossos filhos. Na forma como tratamos nossos pais. No respeito que demonstramos dentro de casa. Na coragem de denunciar. Na responsabilidade de não nos omitirmos. Na disposição de ensinar que liberdade não significa ausência de limites e que direitos caminham junto com deveres.
Talvez seja hora de cada cidadão olhar para dentro de sua própria casa e perguntar: o que eu posso fazer para que o mundo ao meu redor seja um pouco menos violento?
A Bíblia registra uma palavra que atravessou gerações: Icabode — “foi-se a glória” ou “foi-se a glória de Israel”.
É uma palavra que deveria nos fazer pensar.
Não estamos falando apenas de números, estatísticas ou manchetes. Estamos falando de vidas. De mulheres. De crianças. De idosos. De famílias destruídas. De seres humanos que deveriam encontrar proteção, respeito e dignidade.
Se continuarmos perdendo o respeito pela vida, pela família e pelo próximo, corremos o risco de descobrir, tarde demais, que não perdemos apenas a segurança.
Perdemos algo muito maior.
Perdemos a glória de um povo.
E talvez a mudança que esperamos para o Brasil precise começar justamente onde quase sempre esquecemos de procurar: em nós mesmos.
A responsabilidade começa dentro da nossa casa, nas urnas, votando com consciência, sem apoiar nem defender quem incentiva a criminalidade ou faz apologia ao crime.

























