O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou reações negativas entre grupos religiosos ao associar a cor vermelha de seu partido ao sangue de Jesus. A declaração foi feita nesta quarta-feira (16), durante uma reunião com pastores evangélicos do Brasil e dos Estados Unidos, em meio a tentativas do governo de aproximação com o eleitorado cristão.
Durante o encontro, o chefe do Executivo relatou que, ao longo de sua trajetória política, costumava explicar os símbolos petistas por meio de referências religiosas e históricas. Ele afirmou que justificava a bandeira do partido como uma alusão ao sangue redentor de Cristo e que sua própria barba seria inspirada na figura de Jesus. Já a estrela do PT foi comparada por ele aos astros usados como guias pelos grandes navegadores.
A fala, no entanto, gerou forte indignação em setores evangélicos e entre opositores. Críticos acusaram o presidente de desrespeito e de uso indevido da fé por tentar atrelar elementos sagrados a uma legenda de esquerda, que esses grupos consideram ter um histórico ideológico distante dos valores do cristianismo.
Apesar do tom direcionado aos líderes religiosos, Lula procurou separar a religião da política institucional. Ele garantiu que não aceita convites para realizar atos de campanha dentro de igrejas, sejam evangélicas ou católicas, por considerar o espaço sagrado e avaliar que comícios devem ser feitos nas ruas. Na mesma ocasião, o presidente voltou a afirmar que se considera o ser humano com quem Deus foi mais generoso, citando sua trajetória de superação desde a infância em Pernambuco até chegar ao comando do país.
O aceno aos pastores ocorre em um contexto eleitoral desafiador para o petista. Dados de uma pesquisa da Quaest, divulgada recentemente, apontam uma desvantagem do presidente entre o público evangélico. Segundo o levantamento, realizado entre 10 e 13 de setembro com 2.004 eleitores, o senador Flávio Bolsonaro (PL) lidera nesse segmento com 51% das intenções de voto em um eventual segundo turno, enquanto Lula soma 28%. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).























