A possibilidade de um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o economista André Lara Resende, defensor de uma drástica redução da taxa Selic, tem gerado repercussões negativas no mercado financeiro. A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) criticou o setor financeiro, afirmando que ele possui “o DNA do autoritarismo”, em resposta à reação dos investidores diante da notícia.
O mercado reagiu com desconfiança após o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, informar que Lula estaria prestes a se reunir com Lara Resende em Brasília. Contudo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, rapidamente desmentiu a reunião no último domingo (1º), afirmando que “não há nada nesse sentido sobre a mesa” e que a proposta de Lara Resende apresenta “várias deficiências”.
A proposta de Lara Resende, divulgada em setembro no texto intitulado “Eu Acuso”, sugere uma redução da Selic, atualmente em 13,75%, para 7,5% ao longo de um ano. Após essa queda, ele propõe que a taxa permaneça entre 3% e 5,5% ao ano, com metas definidas por um novo Conselho Fiscal e Monetário Nacional.
Desde a reeleição de Lula em 25 de outubro, o mercado já apresentava sinais de queda. Na semana seguinte, a moeda americana teve uma alta de 9,15%, a maior desde 2008, enquanto o índice Ibovespa caiu 18,12%, a pior performance desde março de 2020. Após a divulgação da proposta de Lara Resende, o dólar ultrapassou R$ 5,50 pela primeira vez.
Nas redes sociais, investidores começaram a usar o termo “erdoganização” para descrever a situação, em referência ao presidente turco Recep Tayyip Erdogan, que pressionou seu banco central a reduzir os juros, resultando em uma desvalorização acentuada da lira e uma inflação que ultrapassou 85% em outubro de 2022.
Apesar da negativa do governo, membros do PT, como Gleisi, continuam a apoiar a proposta de Lara Resende. Ela a chamou de “fundamental para enfrentar essa ofensiva terrorista sobre a política fiscal brasileira”. José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo de Lula, também se manifestou a favor da ideia.
Na segunda-feira (2), Gleisi afirmou que o mercado “torceu por Flávio Bolsonaro” e insinuou que existe uma “ala associada ao PCC” entre os investidores. Questionando a negativa do governo sobre o encontro, ela declarou: “E se tivesse, qual é o problema? Conversar sobre um tema ou uma proposta não significa encampá-la.”
Em 2014, quando Lara Resende apoiava a candidatura de Marina Silva (PSB), um texto no site do PT mencionou que ele teria planejado o confisco da poupança durante o governo de Fernando Collor. O ex-presidente relatou em entrevista que, antes de assumir, se reuniu com Lara e outros economistas, que discutiram a possibilidade de um bloqueio da liquidez.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central está programado para decidir nesta quarta-feira (4) se a Selic será mantida ou reduzida, em meio a um cenário de incertezas econômicas.























